Duas semanas de competições esportivas deram um refresco para uma cidade mergulhada no caos. É este o argumento central de “Dias de trégua”, filme oficial dos Jogos Olímpicos do Rio. Um ano após a cerimônia de abertura, o documentário será exibido neste sábado, pela primeira vez, às 19h, no Sportv2. Diretor de “2 Filhos de Francisco” e “Gonzaga — De Pai para Filho”, Breno Silveira evitou um problema que identificou em filmes anteriores: registros que pouco situavam o espectador nas cidades-sede.
— A única coisa que a gente queria era que o filme não escondesse, que não fosse um chapa branca, que não fosse só o atleta — conta Silveira, sobre a obra produzida pela Conspiração Filmes.
A construção da cidade olímpica é o primeiro drama do filme. Nem mesmo o conturbado momento político, com manifestações na rua e iminente queda de presidente, foi deixado de lado.
— A gente estava em um momento complicado, as coisas desmoronando, e começou a bater um medo muito forte na gente e no COI inteiro: será que isso vai dar certo? A gente se perguntou o que estávamos fazendo. Não dá para fazer um filme alheio a isso, só com o Bolt correndo — completa.
Breno Silveira coordenou um total de 90 pessoas na produção, que teve quatro equipes espalhadas pelos locais de provas durante os Jogos. O diretor viveu uma competição própria num evento registrado por 26 mil profissionais de mídia. Sob o olhar de quem mira no esporte e na vida social, o documentário traz um relato otimista:
— Era muito difícil que a mágica (dos Jogos) acontecesse e, de repente, tudo funciona, existe realmente uma trégua. Foi lindo. E os valores olímpicos, que até pareciam ridículos naquele momento, começam a fazer sentido.

