Superar a LDU, hoje, às 19h15, em Quito, é difícil, mas não impossível. E não apenas por conta da vantagem de um gol de diferença — construída pelo Fluminense graças à vitória por 1 a 0 no Rio. Mas porque o rival equatoriano não é tão imbatível na altitude quanto as duas derrotas sofridas pelos tricolores (4 a 2, em 2008, e 5 a 1, em 2009) levam a crer.
O histórico recente contra adversários estrangeiros até que mostra uma LDU forte no Estádio Rodrigo Paz Delgado, também conhecido como La Casa Blanca. Desde 2008, quando a equipe conquistou a Libertadores e passou a ser conhecida internacionalmente, foram 41 partidas. Destas, venceu 30, empatou seis e perdeu outras cinco. O aproveitamento de 78% é imponente, mas menor do que os 84,3% do próprio Fluminense no Maracanã em jogos sul-americanos neste mesmo período.
Três resultados interessam ao tricolor hoje à noite, em Quito: além de vitória e empate, o time carioca pode perder por um gol de diferença — desde que marque pelo menos uma vez. Estes resultados ocorreram em 15 oportunidades nestes 41 jogos internacionais da LDU em seu estádio na última década. A média é de quase uma em cada três vezes.
Outro dado pode deixar os tricolores mais confiantes: desde o ano passado, a LDU acumula mais tropeços do que alegrias contra adversários “gringos” dentro de casa. Em cinco partidas, foram duas vitórias, um empate e duas derrotas — uma destas, por sinal, para o Grêmio, que venceu os equatorianos por 3 a 2 pela Libertadores de 2016.
O próprio Fluminense já voltou da Casa Blanca com um bom resultado: arrancou um 0 a 0 na fase de grupos da Libertadores de 2008. Quase dez anos depois e já sem os fantasmas do passado — tendo em vista que o time atual não conta com nenhum remanescente das derrotas sofridas nas duas decisões disputadas no final da última década — a expectativa é que os tricolores voltem de Quito mais uma vez com o dever cumprido.
Preocupação com a altitude
De todos os tricolores, nenhum se preocupa mais com a altitude do que o goleiro Júlio César. Não por conta da falta de ar nos pulmões, tão mencionada quando se joga muito acima do nível do mar. Mas por causa da velocidade da bola, mais rápida que o habitual.
— O maior desafio de jogar na altitude é a velocidade da bola, que muda e influencia em vários setores, como a parte técnica, a parte tática, o posicionamento, o tempo de tomada de decisão — explicou o preparador de goleiros do clube Marquinhos Lopes.
Júlio César já passou pela experiência este ano. Foi na vitória por 2 a 1 sobre a Universidad de Quito, em julho. A partida serviu para o preparador de goleiros aperfeiçoar os treinos desta vez. Além da altitude, o Fluminense tem outros problemas para resolver. O atacante Henrique Dourado, suspenso, e os zagueiros Henrique e Renato Chaves, lesionados, são desfalques. Nogueira, Frazan e Pedro devem ser os substitutos.

