Entre as palmeiras mais comuns da floresta amazônica está o patauazeiro, que pode passar de 20 metros de altura e produz cachos de frutos escuros e oleosos. Os cachos são colhidos, amadurecidos em água morna e amassados para liberar a polpa, num processo parecido com o do açaí. O líquido resultante vira uma bebida espessa e nutritiva, consumida há gerações por povos da Amazônia, enquanto parte da produção segue para a extração do óleo vegetal.
O que diferencia esse óleo de outras gorduras vegetais da região é sua composição: mais da metade dele é ácido oleico, o mesmo ácido graxo que domina o azeite de oliva. Essa semelhança química é real e mensurável — não uma comparação de marketing — e explica por que o óleo de patauá costuma ser usado como hidratante para pele e cabelo, em receitas caseiras contra queda capilar e em cosméticos artesanais vendidos na região. Estudos de laboratório também encontraram, em extratos de folhas da mesma palmeira, compostos antioxidantes com potência comparável à do açaí quando testados em células de pele humana — um resultado promissor, mas obtido em placa de laboratório, não em pessoas.
É nesse ponto que a tradição avança mais rápido que a ciência. Além do uso cosmético, comunidades amazônicas atribuem ao óleo propriedades para aliviar tosse, bronquite e até dores, um uso repassado de geração em geração sem que existam, até o momento, testes clínicos em humanos que confirmem esse efeito terapêutico. A atividade antioxidante medida em laboratório não equivale a um remédio comprovado para doenças respiratórias, e não há estudos publicados que tenham avaliado dose, segurança ou eficácia do óleo ingerido com essa finalidade.
Por isso, o patauá pode ser aproveitado com tranquilidade como alimento tradicional da mesa amazônica e como hidratante cosmético, mas suas propriedades medicinais populares ainda dependem de confirmação científica. O óleo, como qualquer produto vegetal concentrado, não deve substituir orientação médica, e pessoas com histórico de alergia a pólen de palmeiras ou a outros óleos vegetais devem testar o produto em pequena quantidade antes do uso contínuo, já que não existe dose segura estabelecida em literatura científica para uso terapêutico.
Aviso