O Supremo Tribunal Federal viveu nesta terça-feira uma de suas sessões mais tensas dos últimos anos. Em meio a acusações cruzadas entre ministros, a decana Cármen Lúcia fez um desabafo público e pediu desculpas à população, afirmando que a Corte "existe para dar tranquilidade ao povo" e que, no episódio, "geramos intranquilidade". Ela disse sentir vergonha por ver os conflitos internos do tribunal dominando o noticiário poucas semanas antes do início do período eleitoral. Ao final da sessão, o plenário decidiu, por 4 votos a 3, separar o julgamento das situações que envolvem os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, mas um pedido de vista do ministro Flávio Dino suspendeu a análise e deixou o caso sem desfecho.
A crise tem origem em apurações da Polícia Federal sobre um esquema de fraude bilionário no Banco Master, cujo controlador, Daniel Vorcaro, foi preso ao longo das investigações. Segundo o relatório policial, foram identificados contratos de assessoria jurídica entre o banco e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, somando mais de cem milhões de reais em pagamentos previstos ao longo de três anos. Investigadores apontam ainda que Alexandre de Moraes fez edições finais em uma minuta de contrato antes da assinatura e que trocou mensagens com Vorcaro em datas próximas à prisão do banqueiro, além de encontros presenciais registrados entre os dois.
Procurado pelas apurações, o escritório da família Moraes afirmou que o ministro analisou os contratos "a pedido do compliance" do banco, unicamente para verificar eventuais impedimentos legais, e sustentou não haver conflito de interesse, já que a banca não representava o Banco Master em processos no próprio STF.
O episódio expôs publicamente o desgaste entre ministros do tribunal e provocou forte repercussão política, com críticas de parlamentares e comentaristas à forma como a Corte tem lidado com investigações envolvendo seus próprios integrantes. A discussão ocorre em um momento sensível, com o país já mobilizado pela disputa eleitoral de 2026 e o Supremo sob pressão para demonstrar transparência em relação ao caso.
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