NAIRÓBI, 20 Out (Reuters) - Autoridades do Sudão do Sul afirmaram que as Forças Armadas do Sudão realizaram ataques com drones que atingiram um mercado na região disputada de Abyei, matando mais de 150 pessoas — um dos ataques mais mortíferos em uma guerra que se espalhou para além das fronteiras do Sudão.
O ataque demonstrou a letalidade dos ataques aéreos na guerra do Sudão, que eclodiu em abril de 2023 entre as Forças Armadas do Sudão e as Forças de Apoio Rápido (RSF), um grupo paramilitar, desencadeando uma grave crise humanitária e envolvendo milícias locais e potências estrangeiras.
De acordo com autoridades locais, o ataque que atingiu o mercado em Abyei ocorreu por volta do meio-dia desta segunda-feira. Yohana Akol Ngor, ministro interino da Informação em Abyei, disse à Reuters nesta terça-feira que o número de mortos havia saltado de 73 para 153.
Ele afirmou que o Exército do Sudão é responsável pelo ataque, sem apresentar provas. Um porta-voz das Forças Armadas do Sudão não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.
Três fontes diplomáticas, um trabalhador humanitário e um especialista no conflito disseram à Reuters que o ataque atingiu um depósito de combustível no mercado. As fontes diplomáticas afirmaram que o depósito havia sido usado no passado pela RSF para abastecer suas forças. Um porta-voz da RSF não respondeu imediatamente aos pedidos de comentário.
O Sudão do Sul declarou independência do Sudão em 2011. Desde então, ambos os países reivindicam a região de Abyei, rica em petróleo, que é administrada conjuntamente. Ela faz fronteira com a região de Kordofan, no Sudão, que se tornou um importante centro de combates na guerra do Sudão.
Autoridades do governo sudanês, liderado pelos militares, disseram à Reuters que a RSF está ativa em partes de Abyei. Ngor negou a presença da RSF em Abyei. A Reuters não conseguiu verificar imediatamente essas alegações.
A Força Interina de Segurança das Nações Unidas para Abyei (Unisfa) alertou em maio que a presença da RSF em Abyei havia aumentado a insegurança na região, acrescentando que os atrasos na definição do status definitivo da região disputada colocavam civis e o pessoal da Unisfa em risco.
(Reportagem da Redação Nairóbi, Nafisa Eltahir e Khalid Abdelaziz)
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