Pelo menos 600 mil pessoas ficaram sem energia elétrica na Ucrânia após ataques russos com mísseis e drones durante a noite, informou o presidente ucraniano, Volodmir Zelenski, nesta quarta-feira, 14. Segundo autoridades locais, três pessoas morreram em Kiev. As informações são da BBC.
De acordo com Zelenski, os ataques atingiram instalações de infraestrutura energética em Kiev, na região da capital, e em Kharkiv, no nordeste do país.
A ofensiva ocorreu apesar de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter anunciado no domingo, 11, um acordo para uma trégua nos ataques a instalações de energia entre Moscou e Kiev.
A Rússia, por sua vez, afirmou ter atingido instalações de comunicação e energia utilizadas pelas Forças Armadas ucranianas.
A Força Aérea ucraniana informou que a Rússia lançou 39 mísseis balísticos e de cruzeiro e 128 drones durante a noite.
Segundo os militares, quatro mísseis e 115 drones foram abatidos. Foi a segunda noite consecutiva de ataques com mísseis contra a capital.
Além dos danos à infraestrutura, autoridades ucranianas relataram problemas com o sistema de internet via satélite Starlink, da SpaceX, empresa de Elon Musk.
Em publicação no Telegram, Serhiy Beskrestnov, assessor de Zelenski, afirmou que a implementação de um limite de velocidade de 160 km/h nos terminais interrompeu missões militares.
Uma fonte do Ministério da Defesa ucraniano disse à BBC que as restrições prejudicavam operações logísticas, o uso de sistemas não tripulados e ataques a alvos de médio alcance.
A SpaceX não comentou as supostas restrições, e as autoridades ucranianas informaram que investigam a causa do problema. O Starlink é utilizado pelas forças do país para comunicação e controle de drones no campo de batalha.
Divergências sobre a trégua
O acordo para suspender ataques a instalações de energia também é alvo de divergências entre Moscou e Kiev. Zelenski afirmou que a Ucrânia está disposta a interromper os ataques a alvos energéticos russos caso a Rússia faça o mesmo.
Segundo o presidente ucraniano, Washington ameaçou restringir o compartilhamento de informações de inteligência caso Kiev não aderisse à proposta. Trump negou que os Estados Unidos estivessem retendo informações.
Já o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, afirmou que a Ucrânia não merece uma trégua. Segundo ele, uma pausa nos ataques permitiria que países europeus fornecessem mais armas a Kiev.
A ofensiva ocorre enquanto Zelenski se prepara para se reunir com o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, em Londres, para discutir formas de acelerar o fornecimento de equipamentos de defesa aérea à Ucrânia. A Rússia iniciou a invasão em larga escala do país em fevereiro de 2022 e controla atualmente cerca de 20% do território ucraniano.
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