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BP supera previsões com lucro recorde, mira quitação antecipada da conta do Deepwater Horizon

Reuters
BP supera previsões com lucro recorde, mira quitação antecipada da conta do Deepwater Horizon
BP supera previsões com lucro recorde, mira quitação antecipada da conta do Deepwater Horizon

Por Stephanie Kelly e Shadia Nasralla

LONDRES, 30 Out (Reuters) - A BP anunciou um lucro líquido trimestral recorde nesta sexta-feira, superando as expectativas de mercado, conforme a guerra no Irã impulsionou os preços e as margens de refino de petróleo, e afirmou que utilizaria o lucro extraordinário para liquidar suas obrigações remanescentes relacionadas ao Deepwater Horizon.

A companhia divulgou um lucro com base no custo de reposição no terceiro trimestre -- sua versão do lucro líquido -- de US$8,46 bilhões, o maior valor já registrado em qualquer trimestre sob a versão atual desse parâmetro da BP.

O valor superou as expectativas de analistas, que eram de US$7,33 bilhões, e representou um aumento em relação aos US$2,2 bilhões registrados no mesmo período do ano anterior.

Os resultados seguem os elevados lucros da Shell e da TotalEnergies, que também superaram as expectativas de lucro trimestral em divulgações na quinta-feira e optaram por aumentar a recompra de ações com o caixa.

A BP informou que utilizaria parte do caixa excedente para liquidar suas obrigações restantes decorrentes do desastre da Deepwater Horizon em 2010, quando uma explosão na plataforma de perfuração sobre o poço Macondo, operado pela BP no Golfo do México, resultou em um dos piores derramamentos de petróleo até hoje, causando a morte de 11 pessoas.

A empresa reservou US$69 bilhões para arcar com o derramamento. As obrigações e provisões relacionadas ainda totalizam US$5,94 bilhões, de acordo com um cronograma de pagamentos que se estende até 2033, segundo os dados mais recentes da BP e um porta-voz da empresa.

Quando questionada sobre a possibilidade de retomar a recompra de ações ou aumentar os dividendos, a presidente-executiva Meg O’Neill afirmou que a BP ainda carregava mais dívidas do que poderia arcar em um cenário de preços baixos e estava focada em reduzir esse endividamento para proteger os dividendos atuais.

META DE REDUÇÃO DA DÍVIDA ALCANÇADA

O'Neill afirmou em comunicado que a empresa manteve a produção de petróleo e gás em cerca de 2,2 milhões de barris por dia. “A confiabilidade das instalações de upstream e a disponibilidade das refinarias melhoraram em relação ao trimestre anterior, e nosso desempenho comercial também foi superior”, acrescentou ela.

“Isso gerou um conjunto sólido de resultados, apoiado pelo ambiente de preços mais altos e margens mais elevadas, além de um bom progresso na melhoria do desempenho em toda a empresa.”

O fluxo de caixa operacional ficou em US$14,8 bilhões, enquanto a dívida líquida caiu para US$13,9 bilhões, permitindo que a BP atingisse sua meta de dívida líquida um ano antes do previsto.

Esse marco representa mais um passo na recuperação da BP após a empresa ter redefinido sua estratégia em 2025, na sequência de uma incursão mal-sucedida no setor de energias renováveis.

DESEMPENHO SUPERIOR EM TODAS AS ÁREAS

Todas as três unidades de negócios da BP superaram as expectativas.

A margem indicativa de refino da BP subiu para US$46,7 por barril no trimestre, ante US$29,6 por barril no segundo trimestre e US$15,8 por barril no mesmo período do ano anterior. A empresa também informou ter obtido um resultado significativamente superior nas atividades de comercialização e negociação de gás.

A empresa registrou US$4 bilhões em perdas contábeis neste trimestre, relacionadas em grande parte ao seu negócio de energia solar, a Lightsource BP, e à energia eólica offshore. Nos últimos meses, a BP já contabilizou perdas de mais de US$5 bilhões, principalmente relacionadas à unidade de biogás Archaea, à Lightsource BP e a outros empreendimentos de baixo carbono.

A empresa apresentará uma atualização de sua estratégia de longo prazo no dia 15 de dezembro.

(Reportagem de Stephanie Kelly e Shadia Nasralla)

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