Por Nick Mulvenney
NOVA YORK, 18 Jul (Reuters) - Quando a Argentina perdeu a final da Copa América de 2016 no Estádio MetLife, um Lionel Messi de coração partido anunciou às lágrimas a sua aposentadoria do futebol internacional com as palavras: “Fiz tudo o que pude”.
Aos 29 anos, ele era um dos jogadores mais condecorados do mundo, tanto individualmente quanto pelo seu clube, mas após perder três finais da Copa América e uma da Copa do Mundo, em 2014, parecia destinado a nunca conquistar um grande título internacional.
Ele foi, é claro, convencido a voltar a vestir a camisa da Argentina por uma nação que o adora e, neste domingo, entrará em campo naquele mesmo estádio — rebatizado de Estádio de Nova York/Nova Jersey para este torneio — para disputar o título de campeão da Copa do Mundo pela segunda vez consecutiva.
As discussões sobre quem é o maior jogador de futebol da história vão continuar até o fim dos tempos, mas seria preciso voltar a Diego Maradona ou Pelé para encontrar alguém com influência individual semelhante na Copa do Mundo.
Enquanto a Espanha, adversária deste domingo, é uma equipe solidamente construída em torno do coletivo, a presença de Messi tem sido absolutamente essencial para os cinco anos de glória ininterrupta da Albiceleste.
ÍCONE NACIONAL
Não se trata apenas dos gols e das assistências — embora tenha havido muitos de ambos. Messi é um ícone nacional em torno do qual uma equipe incrivelmente determinada se uniu repetidas vezes para arrancar a vitória das garras da derrota.
“É pura felicidade, e tudo isso graças a este grupo que, diante das adversidades, segue em frente sem parar e nunca se cansa”, disse Lautaro Martínez após marcar o gol da vitória nos acréscimos, com assistência de Messi, na semifinal contra a Inglaterra.
“Temos o melhor jogador do mundo como nosso exemplo.”
Além da habilidade, Messi tem demonstrado uma resistência notável ao disputar todos os minutos de todas as partidas da Argentina no mata-mata desta Copa do Mundo, incluindo duas prorrogações.
Fazer conjecturas sobre o futuro do pequeno mágico de Rosário sempre foi imprudente, mas, sob qualquer ponto de vista, um quarto título mundial para a Argentina neste domingo serviria como a coroação de uma carreira incrível.
O triunfo na Copa do Mundo de 2022, além dos títulos da Copa América em 2021 e 2024, encheram sua prateleira com medalhas de grandes torneios internacionais, justamente quando seu sucesso por clubes começou a diminuir no ambiente menos exigente da Major League Soccer.
Messi tem contrato com o Inter Miami até o final da temporada de 2028 da MLS e não deu nenhuma indicação de que a partida de domingo será a última com a camisa azul-celeste e branca que ele vestiu 206 vezes ao longo de 21 anos.
Uma coisa é absolutamente certa, porém: ele mais do que conquistou o direito de tomar essa decisão por conta própria.
(Reportagem de Nick Mulvenney)



Aviso