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Artigo: Extremistas alimentam uns aos outros, sejam islâmicos ou políticos

A extrema-direita britânica mal podia esperar para tirar vantagem do ataque terrorista em Westminster. Era uma chance para dizerem “eu falei” após a eleição de Donald Trump e as críticas à sua abordagem de segurança.

Apenas uns dias atrás, o ex-membro do Partido Nacional Britânico (BNP) Jack Buckby, que concorreu à cadeira de Jo Cox depois do assassinato dela, escreveu: “Pesquisas de boca de urna indicam uma coalizão de esquerda na Holanda. Uma coisa horrível de pensar, mas só ataques terroristas podem salvar a Holanda agora. Acordem.”

Buckby afirmou, em alto e bom som, o que a extrema-direita tinha estado pensando desde a posse de Trump: um ataque extremista inspirado no Estado Islâmico é justo o que precisam para aumentar sua popularidade.

A extrema-direita está encorajada porque sabe ter um aliado na Casa Branca, para ajudar com sua narrativa. Para eles, não se trata apenas de uma guerra contra os terroristas, mas contra todos que julgam ser aliados do EI: muçulmanos, imigrantes, progressistas e a esquerda. Eles odeiam a própria ideia de comunidades cosmopolitas.

O último ataque terrorista à democracia britânica foi o assassinato da deputada trabalhista Jo Cox por Thomas Mair, fanático da extrema-direita. A direita, àquele ponto, pediu uma melhor vigilância e escrutínio aos grupos de nacionalistas brancos? Claro que não. Houve uma notável falta de vontade de fazer perguntas públicas sobre as causas do “radicalismo branco” ali também.

Isto não quer dizer que o extremismo inspirado no EI não seja um problema. Temos de examinar e enfrentar todas as formas de extremismo. O EI não é simplesmente uma reação às políticas externas ocidentais, mas constitui sua própria forma de imperialismo assassino.

Mas não é exagero dizer que o nacionalismo branco é meramente a imagem ideológica espelhada do extremismo islâmico. Tais grupos são uma ameaça significativa ao Ocidente. Um estudo de 2015 indicou que o extremismo branco matou mais americanos desde o 11 de Setembro nos EUA do que os jihadistas. Extremistas de direita são maioria nas listas do programa antiterror em algumas parte do Reino Unido.

Ataques terroristas como o de Westminster ilustram a relação crescentemente simbiótica entre a extrema-direita e o extremismo islâmico. Ambos necessitam um do outro para espalhar o pânico e o terror; para criar tensão e paranoia; para aprofundar o “choque de civilizações” a que almejam. O objetivo do nacionalismo branco e do extremismo inspirado pelo EI é o mesmo: radicalizar seu próprio lado, enfraquecer e destruir os moderados e criar conflito.

Londres sobreviveu a pior do que isto. O pior que podemos fazer é dar crédito à paranoia e ao ódio do extremismo de todos os lados.

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