Por Nidal al-Mughrabi
CAIRO, 19 Ago (Reuters) - Um ataque aéreo israelense matou nove palestinos em uma delegacia de polícia em Gaza na quarta-feira, segundo equipes médicas, dois dias depois que o enviado dos EUA, Jared Kushner, encerrou uma viagem à região que não conseguiu levar adiante o plano de Donald Trump para pôr fim à guerra no enclave.
Fontes médicas e policiais informaram que vários policiais, alguns deles de alto escalão, estavam entre os mortos no local que, segundo o Ministério do Interior liderado pelo Hamas, era a sede da polícia municipal. Outras 15 pessoas ficaram feridas, segundo eles.
Mais cedo na quarta-feira, no campo de refugiados de Nuseirat, no centro de Gaza, um ataque aéreo israelense separado matou um palestino, segundo equipes médicas, elevando o número de mortos na quarta-feira para pelo menos 10.
As Forças Armadas israelenses afirmaram que o ataque tinha como alvo um militante do Hamas. Elas não se pronunciaram sobre o ataque à delegacia de polícia.
SEM AVANÇOS DIPLOMÁTICOS
No que parecia ser um possível avanço no final de julho, o presidente Trump anunciou que o Hamas havia aceitado um roteiro que previa o desarmamento gradual do grupo militante palestino, à medida que as Forças Armadas de Israel se retirassem de Gaza. Os militares também interromperiam suas operações no território.
No entanto, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, cuja coalizão governista está atrás nas pesquisas de opinião antes das eleições de outubro, rejeitou o roteiro, insistindo que as Forças Armadas só se retirariam depois que o Hamas estivesse completamente desarmado.
O Hamas pediu que Israel respeitasse o cessar-fogo e retirasse suas forças de Gaza. Ambos os lados têm contestado a sequência de como o plano de Trump deveria ser implementado.
Israel afirmou que seus ataques têm como objetivo impedir ataques iminentes do Hamas e de militantes de Gaza.
Um ataque aéreo israelense matou pelo menos sete palestinos, incluindo uma criança, em um café à beira-mar na terça-feira, segundo equipes médicas. As Forças Armadas israelenses disseram ter como alvo comandantes do Hamas que haviam planejado ataques contra forças que operavam no enclave.
Um representante do Hamas disse na quarta-feira que o grupo havia informado aos mediadores do cessar-fogo — Egito, Catar e Turquia — que, se não houver uma interrupção dos ataques direcionados de Israel, “isso influenciará sua postura em relação ao acordo”. Ele não deu mais detalhes.
O representante afirmou que as últimas mortes representaram um duro golpe para os esforços diplomáticos de Kushner, apesar das garantias que ele e o Conselho de Paz de Trump deram aos líderes do Hamas quando se reuniram no Egito no domingo, de que obrigariam Israel a pôr fim aos “assassinatos e ataques direcionados”.
Mais de 1.200 palestinos e quatro soldados israelenses foram mortos em Gaza desde que o cessar-fogo foi alcançado em outubro passado, segundo autoridades de saúde de Gaza e as Forças Armadas israelenses.



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