Início Mundo Audi defende plano de investimento de US$4 bi nos EUA anunciado por Trump
Mundo

Audi defende plano de investimento de US$4 bi nos EUA anunciado por Trump

Reuters

Por Bo Erickson e David Shepardson e Rachel More

25 Out (Reuters) - O presidente-executivo da montadora alemã Audi, Gernot Döllner, defendeu neste domingo o investimento planejado de US$4 bilhões em uma nova fábrica nos Estados Unidos, anunciado pelo presidente Donald Trump durante campanha para as eleições legislativas de novembro.

Döllner esteve ao lado de Trump em um comício realizado no sábado em Perry, próximo a Macon, no centro da Geórgia, quando o presidente dos EUA afirmou que a Audi, parte do grupo Volkswagen, pretende construir uma fábrica de montagem no Estado capaz de produzir 200 mil SUVs por ano.

"Essa decisão foi precedida por muitos meses de planejamento cuidadoso e intensas negociações", disse Döllner a jornalistas neste domingo. "Se o presidente dos Estados Unidos o convida, você aceita o convite. É isso que o respeito ao cargo e ao país onde investimos exige."

Uma decisão final sobre o investimento ainda precisará ser aprovada pelo conselho de supervisão da Volkswagen para que o projeto avance.

A Geórgia terá disputas eleitorais acirradas para o Senado dos EUA e para o governo estadual, e Trump busca demonstrar que suas tarifas sobre o setor automotivo estão ajudando a economia norte-americana e fortalecendo a manufatura no país.

Na Alemanha, as tarifas ampliaram as pressões sobre a indústria europeia e aumentaram as tensões entre a direção da Volkswagen e os trabalhadores, que enfrentam cortes de empregos e possíveis fechamentos de fábricas.

Segundo a Audi, as tarifas impostas por Trump sobre automóveis, aço, alumínio e peças custaram à empresa cerca de 1,2 bilhão de euros no ano passado, já que todos os veículos vendidos pela marca no mercado norte-americano são importados da Europa ou do México.

Críticos das tarifas afirmam que elas também têm efeitos negativos nos Estados Unidos, elevando os preços dos veículos e atrasando alguns investimentos do setor automobilístico.

Um porta-voz do sindicato alemão IG Metall afirmou que a decisão de Döllner de participar do evento com Trump durante a campanha eleitoral era "difícil de compreender".

"Trump nunca deixou dúvidas sobre o que pretende: enfraquecer nossa economia doméstica, especialmente o setor automotivo", disse o porta-voz.

Christiane Benner, presidente do IG Metall e vice-presidente do conselho de supervisão da Volkswagen, afirmou que é "correto e necessário" melhorar a posição da empresa no mercado norte-americano com uma nova fábrica.

"No entanto, perspectivas sólidas para os trabalhadores em todas as unidades, particularmente na Alemanha, precisam ser claramente definidas e estabelecidas", afirmou.

Döllner recusou-se a fornecer detalhes completos sobre o acordo de investimento com os Estados Unidos, inclusive se ele inclui algum tipo de alívio tarifário para a empresa.

TRABALHADORES ALEMÃES

Olaf Lies, governador do Estado alemão da Baixa Saxônia, segundo maior acionista da Volkswagen, disse que uma ampliação da produção nos Estados Unidos representa uma oportunidade, desde que os trabalhadores alemães também sejam beneficiados.

"O crescimento na América deve garantir empregos e geração de valor aqui e não substituí-los", afirmou.

A Audi informou que o investimento criará aproximadamente 4.500 empregos. A construção da fábrica deve começar no próximo ano, com o início da produção previsto para o começo da década de 2030.

A unidade deverá montar os SUVs Audi Q7, Q8 e Q9, disse uma autoridade norte-americana à Reuters.

A Audi também planeja produzir 25 mil veículos por ano no vizinho Estado da Carolina do Sul, acrescentou a autoridade. Parte desses veículos, atualmente fabricados na Europa, passaria a ser exportada a partir dos Estados Unidos.

Esses veículos serão montados em uma fábrica de US$2 bilhões da marca de veículos off-road Scout Motors, do grupo Volkswagen, atualmente em construção em Blythewood, próximo à capital estadual Columbia, segundo a autoridade.

"Consideramos a região um mercado fundamental para crescimento rentável", afirmou o presidente-executivo da Volkswagen, Oliver Blume. "Uma possível fábrica da Audi nos Estados Unidos criará condições adicionais para isso."

Um Audi dourado com placas da fabricante estava estacionado em frente ao local do comício de Trump no sábado.

(Reportagem de Bo Erickson, em Perry, e David Shepardson, em Washington; reportagem adicional de Christoph Steitz e Rachel More)

Siga-nos no

Google News

Receba o Boletim do Dia direto no seu e-mail, todo dia.

Comentários (0)

Deixe seu comentário

Resolva a operação matemática acima
Seja o primeiro a comentar!