Início Mundo Autor de ataque a policial em Notre Dame era jornalista na Suécia
Mundo

Autor de ataque a policial em Notre Dame era jornalista na Suécia

PARIS — O argelino Farid Ikken, o homem que agrediu com um martelo um policial na terça-feira em frente à Catedral de Notre Dame em Paris, era jornalista na Suécia, onde não era conhecido pelos serviços de inteligência. O homem que jurou fidelidade ao Estado Islâmico em um vídeo encontrado em sua casa, era um antigo defensor dos direitos humanos e especialista em questões sobre desenvolvimento, democracia e direitos humanos. Ikken era registrado como repórter independente desde 2008 na cidade de Upsala, no centro do pais.

Segundo o tabloide Expressen, Ikken foi casado até 2005 com uma sueca, que não quis dar declarações. As agências de inteligência da Suécia afirmaram que o homem de 40 anos não era conhecido pela polícia. Ele foi embora do país rumo à Argélia em 2013 e chegou na França em março de 2014. Durante o ataque, no qual acabou ferido a tiros, o agressor também trazia duas facas de cozinha e uma identidade de estudante que o mostrava como um argelino de 40 anos.

O argelino fez mestrado em jornalismo na Universidade de Upsala de 2009 a 2011, onde se formou, e faz agora doutorado na França, em Ciências Humanas e Sociais, com uma tese sobre a mídia no Norte da África. Em março de 2008, ele publicou um artigo na revista "Världshorisont", editada pela Federação Sueca das Nações Unidas, associação vinculada oficialmente à ONU. O texto chamado “Guerra contra o terrorismo: 7 anos obscuros para os direitos humanos”, Ikken fala sobre um relatório das Nações Unidas sobre as violações dos direitos humanos desde o 11 de Setembro, principalmente a detenção de supostos militantes islamistas na base militar de Guantánamo, em Cuba.

Em 2009, Ikken recebeu um prêmio da filial sueca da Comissão Europeia por um artigo sobre a diferença nos tratamentos médicos na Suécia. No ano seguinte, o argelino estagiou em uma rádio pública sueca onde fez uma reportagem sobre a desigualdade no mercado trabalhista nos bairros de Gotemburgo que conta com uma importante comunidade de origem estrangeira.

Durante o ataque, o potencial terrorista gritava "Isso é pela Síria" enquanto agredia o agente de segurança, informou o ministro do Interior da França, Gérard Collomb. Ikken, que agiu sozinho, reivindicou durante a agressão ser um "soldado do califado" do Estado Islâmico. Ele foi ferido por tiros de pistola de um segundo policial.

A França está em estado de alerta máximo após uma onda de ataques terroristas que fizeram 239 mortos desde 2015. Em 20 de abril, na famosa avenida parisiense Champs Elysées, um francês de 39 anos matou um policial de 37 anos com dois tiros na cabeça e feriu dois outros agentes e uma turista alemã, antes de ser morto. Em 13 de novembro de 2015, um comando extremista que jurou lealdade ao Estado Islâmico matou 130 pessoas em várias partes da capital francesa, no pior ataque em território francês. O EI ameaça com frequência a França por sua participação na coalizão militar internacional anti-extremista no Iraque e na Síria.

Siga-nos no

Google News
Quer receber todo final de noite um resumo das notícias do dia?