Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO, 5 Jun (Reuters) - As taxas dos DIs fecharam a sexta-feira pós-feriado com altas firmes, acompanhando a disparada dos rendimentos dos Treasuries no exterior após dados mostrarem geração de postos de trabalho acima do esperado em maio nos Estados Unidos.
Os números do mercado de trabalho norte-americano, que contaminaram negativamente os mercados globais, foram mais um impulso para as taxas futuras no Brasil, que desde a semana passada têm refletido uma piora nas projeções de inflação e Selic.
No fim da tarde, a taxa dos Depósitos Interfinanceiros (DIs) para janeiro de 2028 estava em 14,645%, em alta de 27 pontos-base ante o ajuste de 14,375% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 14,655%, com elevação de 21 pontos-base ante o ajuste de 14,448%. Foi a quinta sessão consecutiva de alta das taxas futuras brasileiras.
O Departamento do Trabalho dos EUA informou pela manhã que foram gerados 172 mil postos de trabalho em maio, bem acima dos 85 mil projetados por economistas ouvidos pela Reuters. O dado de abril foi revisado de 115 mil novas vagas para 179 mil.
O resultado deu força à percepção de que o Federal Reserve tende a trabalhar com taxas de juros mais elevadas, ainda mais em um contexto de guerra no Oriente Médio.
Após a divulgação, os futuros dos Fed Funds passaram a embutir quase 100% de probabilidade de pelo menos uma elevação de juros nos EUA até o fim deste ano, conforme a ferramenta CME FedWatch.
Em paralelo, os rendimentos dos Treasuries dispararam, em especial os de curto prazo, e no Brasil as taxas dos DIs também engataram ganhos firmes.
Operador ouvido pela Reuters pontuou que os dados de emprego dos EUA juntaram-se aos fatores locais que, nos últimos dias, têm impulsionado a curva brasileira.
Desde a última sexta-feira, em função do resultado robusto do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre, instituições financeiras têm elevado suas projeções para a inflação e a taxa básica Selic, hoje em 14,50% ao ano.
Após instituições como Itaú Unibanco, XP, BTG e C6 passarem a projetar um cenário mais adverso para a política monetária, nesta sexta-feira foi a vez do BofA alterar de 13,25% para 14,25% sua projeção para a Selic no fim deste ano, o que implica em apenas mais um corte de 25 pontos-base neste mês de junho. Para o fim de 2027, a projeção para a Selic foi de 12,50% para 13,25%.
“A mudança reflete uma combinação de deterioração da dinâmica corrente da inflação, aumento das expectativas de inflação e enfraquecimento do real. Ao mesmo tempo, a atividade segue sustentada por estímulos fiscais e de crédito contínuos... adiando o ajuste necessário nas condições de demanda”, disse a instituição.
Neste cenário, a taxa do DI para janeiro de 2028 atingiu a máxima de 14,665% (+29 pontos-base) às 13h20, enquanto o DI para janeiro de 2035 atingiu a máxima de 14,660% (+21 pontos-base) às 13h05.
As taxas das Notas do Tesouro Nacional – Série B (NTN-Bs) também seguiram elevadas, apesar da leve compressão em relação à última quarta-feira. Dados da LSEG mostram que a taxa real da NTN-B para 2035 negociada no mercado secundário estava em 7,65% na tarde desta sexta-feira, contra 8% na quarta.
Boa parte da pressão inflacionária, que tem mexido com as projeções de inflação e com a curva, segue ligada à guerra no Oriente Médio.
Na quinta-feira, o grupo Hezbollah, apoiado pelo Irã, rejeitou um novo cessar-fogo no Líbano, enquanto Israel disse que não iria retirar as tropas do país. Essas decisões minam um possível entendimento entre Teerã e Washington, já que o Irã vem considerando o cessar-fogo entre Israel e Hezbollah como requisito para um acordo de paz com os EUA.
Às 16h39, o rendimento do Treasury de dois anos -- que reflete apostas para os rumos das taxas de juros de curto prazo -- tinha alta de 11 pontos-base, a 4,162%. Já o retorno do título de dez anos -- referência global para decisões de investimento -- subia 7 pontos-base, a 4,544%.
(Edição de Pedro Fonseca)



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