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Brasil lamenta pior resultado recente na Olimpíada de Matemática

RIO - A primeira Olimpíada Internacional de Matemática (IMO, na sigla em inglês) sediada no Brasil terminou ontem com a consagração da Coreia do Sul como campeã. China e Vietnã, respectivamente, completaram o pódio, enquanto a equipe brasileira ficou em 37º lugar — o pior resultado da última década. Em 2016, o Brasil teve seu melhor desempenho desde que começou a participar da IMO, em 1979: conquistou a 15ª colocação, à frente de países como Alemanha, França e Austrália. Agora, embora a colocação tenha caído consideravelmente, o Brasil se manteve em melhor posição do que nações desenvolvidas como a França, que acabou em 39º lugar, e a Suécia, em 51º.

A premiação na cerimônia de encerramento, na tarde de ontem, foi marcada por músicas brasileiras, como “Mais que nada”, tocada em instrumental enquanto as medalhas de bronze eram entregues, e “País tropical”, de Jorge Ben Jor.

A Olimpíada de Matemática é a mais antiga e prestigiada competição científica no nível do ensino médio, realizada desde a década de 1950. Participaram da atual edição 623 estudantes vindos de 112 países.

Os seis integrantes do time brasileiro, selecionados pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa) e pela Sociedade Brasileira de Matemática (SBM), conquistaram duas medalhas de prata, uma de bronze e três menções honrosas.

Os representantes dos EUA, que foram os campeões na última edição e estavam entre os favoritos, ficaram em quarto. Já a delegação da Síria, que chamou atenção por ter entre seus integrantes o filho do presidente Bashar al-Assad, ficou na 56ª colocação. A delegação da Coreia do Sul, no topo do ranking, abocanhou seis medalhas, todas de ouro. Os chineses ganharam cinco de ouro e uma de prata, e o Vietnã conseguiu quatro de ouro, uma de prata e uma de bronze.

Na classificação individual, três jovens ficaram empatados em primeiro lugar: Amirmojtaba Sabour (Irã), Yuta Takaya (Japão), Huu Quôc Huy Hoàng (Vietnã). No entanto, não houve sequer um “ouro perfeito”, quando um participante gabarita a prova. Somente dois estudantes conseguiram solucionar o terceiro dos seis problemas desta edição, tamanha a dificuldade.

O brasileiro com o melhor desempenho foi João César Campos Vargas, que ganhou uma medalha de prata e ficou na 82ª colocação. Já Hafez al-Assad, filho do ditador sírio, ficou em 528º lugar, com uma menção honrosa. Na premiação, ele tentou sambar e até improvisou um trenzinho com os amigos, mas se recusou a dar entrevista.

— A prova foi extremamente difícil. E não valorizou geometria, uma área em que nosso time é forte — destacou o mineiro João César, que vai iniciar graduação em Matemática em Princeton. — Acho que isso ajuda a explicar por que não nos saímos tão bem quanto esperávamos.

Os outros dois medalhistas brasileiros foram Davi Cavalcanti Sena, que ganhou prata, e George Lucas Alencar, com o bronze.

— Fiquei feliz com minha prata, porque as questões estavam tão difíceis que eu achava que só teria como conseguir menção honrosa. Mas o resultado do grupo é mais importante do que o individual, então ficamos frustrados — disse Davi.

Diretor adjunto do Impa, Claudio Landim creditou o resultado “decepcionante” do Brasil ao fato de a equipe “jogar em casa”:

— A pressão provavelmente afetou. Nossa meta é ficar entre os 15 primeiros, e, nesse sentido, o resultado foi decepcionante. Mas nosso objetivo não é construir campeões na olimpíada, mas formar matemáticos. Para resolver problemas de uma prova olímpica, é necessário macete e rapidez. Para ser um grande matemático, é preciso mais.

A próxima IMO, no ano que vem, será na Romênia.

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