WASHINGTON - Em mais uma baixa no turbulento governo de Donald Trump, o secretário de Imprensa da Casa Branca, Sean Spicer, um dos rostos mais marcantes da nova equipe, anunciou na sexta-feira sua demissão após — segundo relatos da mídia local — discordar veementemente da escolha de Anthony Scaramucci para o cargo de diretor de Comunicações. A equipe legal do presidente também sofreu uma perda. Mark Corralo, porta-voz do grupo de advogados de Trump, apresentou sua demissão em meio a especulações de que a equipe estaria sendo reorganizada. As mudanças ocorrem num momento em que Trump enfrenta cada vez mais questionamentos sobre a suposta ligação de sua campanha à Casa Branca e a Rússia e índices recordes de desaprovação.
— Não tenho qualquer atrito com Sean (Spicer), mas essa, claramente, é uma situação difícil — disse Scaramucci, antes de anunciar que a vice-secretária de Imprensa da Casa Branca, Sarah Huckabee Sanders, ocupará o cargo de porta-voz oficial do governo.
Spicer ficou conhecido por suas declarações desprovidas de fundamentos factuais, como na ocasião em que afirmou que a posse de Trump tivera o maior público da História, o que foi prontamente desmentido pela imprensa. De acordo com o “Washington Post”, o secretário se tornou um alvo frequente de críticos e comediantes, que passaram a retratá-lo como um inseguro porém incansável defensor de Trump, capaz de dizer qualquer coisa — verdadeira ou não — a favor do chefe.
— É melhor dar a eles a chance de começar do zero e avaliar nosso trabalho — afirmou ao “Post”. — Foi uma honra e um privilégio sem igual. Não tenho palavras para agradecer ao presidente.
Paralelamente, o site “Politico” informou que conflitos dentro da equipe legal do presidente levaram à demissão do porta-voz do grupo, Mark Corallo, que teria se incomodado com a estratégia de tentar desacreditar a figura do promotor especial Robert Mueller, responsável pelas investigações sobre os supostos laços entre a equipe de campanha de Trump e a Rússia. Na quinta-feira, Marc Kasowitz, líder da equipe, anunciou que reduzirá seu auxílio legal a Trump durante a investigação.
Uma figura surge como ponto em comum nas duas demissões: o genro e principal assessor de Trump, Jared Kushner. De acordo com o “New York Times”, Kushner teria criticado Spicer e o chefe de Gabinete de Trump, Reince Priebus, classificando-os como figuras do establishment do Partido Republicano que agiam segundo interesses próprios. Ele também seria o principal nome a defender uma substituição de Kasowitz no comando da equipe legal.
Enquanto isso, Mueller enviou um pedido à Casa Branca para que todos os documentos relativos ao encontro na Trump Tower entre o filho do presidente Donald Trump Jr. e a advogada russa Natalia Veselnitskaya, do qual Kushner e o ex-chefe de campanha de Trump, Paul Manafort, também teriam participado.
As investigações sobre os ligações da campanha com o Kremlin ganharam um novo ingrediente na sexta-feira: o “Washington Post” revelou que o procurador-geral dos EUA, Jeff Sessions, se encontrou com o embaixador russo Sergey Kislyak, e discutiu temas relacionados à campanha presidencial, algo que Sessions negara anteriormente. O “Post” cita funcionários do governo atual e da gestão anterior, que mencionam interceptações realizadas pelos serviços de Inteligência do país. Na última semana, Sessions foi criticado por Trump por ter se afastado das investigações.

