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Deputados mexicanos aprovam emenda que permite anular eleições por interferência estrangeira

Reuters
Deputados mexicanos aprovam emenda que permite anular eleições por interferência estrangeira
Deputados mexicanos aprovam emenda que permite anular eleições por interferência estrangeira

CIDADE DO MÉXICO, 28 Mai (Reuters) - A Câmara dos Deputados do México aprovou nesta quinta-feira uma emenda constitucional que permite a anulação de eleições caso sejam encontradas evidências de interferência estrangeira, medida que, para críticos, pode enfraquecer o processo eleitoral e facilitar a reversão dos resultados por parte dos perdedores.

Aprovada pela Câmara dos Deputados com 307 votos a favor, 128 contra e 1 abstenção, a emenda ainda precisa da aprovação do Senado.

A proposta altera um artigo da Constituição e define interferência estrangeira como “financiamento ilícito, propaganda, disseminação sistemática de desinformação, manipulação digital e intervenção de governos ou agências estrangeiras”.

Abrange também atos de pressão política, econômica, diplomática ou midiática destinados a influenciar a opinião pública.

A votação da proposta de emenda constitucional ocorre em meio à crescente inquietação dentro do partido governista -- o Morena -- sobre o que considera intervenção estrangeira nos assuntos mexicanos.

No início deste mês, Isabel Díaz Ayuso, política conservadora espanhola que representa a cidade de Madri, visitou o México e criticou o governo Sheinbaum, comparando-o ao regime comunista de Cuba. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou repetidamente interferir nos esforços do México de combate ao narcotráfico.

"Pode haver risco de interferência estrangeira nas eleições mexicanas", disse a presidente Claudia Sheinbaum durante sua coletiva de imprensa diária após a decisão do Congresso. Ela também reconheceu que já houve casos de financiamento estrangeiro para candidatos e organizações locais no México.

"É importante proteger nosso território de qualquer interferência", acrescentou, enfatizando a necessidade de a lei ser específica e clara.

Parlamentares da oposição resistiram à emenda, argumentando que os partidos no poder poderiam usá-la como ferramenta política após uma derrota eleitoral.

“Rejeitamos qualquer intervenção estrangeira. O problema é que estamos num debate que confunde intervenção com intromissão, que são coisas diferentes”, disse Ruben Moreira, deputado do partido da oposição PRI.

Um segundo projeto de lei presidencial, que modifica a legislação eleitoral para impedir a candidatura de pessoas vinculadas ao crime organizado, também foi aprovado. 

(Reportagem de Raul Cortes e Aida Pelaez-Fernandez)

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