Início Mundo Disputa no Alasca ameaça complicar controle do Senado dos EUA
Mundo

Disputa no Alasca ameaça complicar controle do Senado dos EUA

Reuters
Disputa no Alasca ameaça complicar controle do Senado dos EUA
Disputa no Alasca ameaça complicar controle do Senado dos EUA

Por Jacob Bogage

WASHINGTON, 29 Out (Reuters) - O governador republicano do Alasca ordenou uma investigação estadual para apurar alegações de reportagem do New York Times segundo a qual democratas teriam recrutado candidatos para atrapalhar a disputa pelo Senado dos EUA no Estado, aumentando a possibilidade de acirramento de uma disputa que pode determinar o controle do Senado nas eleições de meio de mandato da próxima terça-feira.

O Alasca é uma das cerca de 10 disputas altamente acirradas com poder de decidir para que lado vai pender o Senado, onde os republicanos atualmente detêm uma maioria de 53 a 47. Os democratas precisam de um ganho líquido de quatro cadeiras, e uma disputa pós-eleitoral no Alasca poderia deixar o controle da Casa incerto por semanas.

O governador Mike Dunleavy afirmou na quarta-feira que a investigação deve examinar se alguma lei foi violada, postando no X que “as evidências determinarão o que acontecerá a seguir”, horas após o Times noticiar que assessores da candidata democrata Mary Peltola trabalharam para recrutar dois candidatos que poderiam desviar votos do senador republicano em exercício Dan Sullivan.

O presidente Donald Trump disse a jornalistas nesta quinta-feira: “É difícil acreditar que ela tenha sequer sido autorizada a concorrer. Francamente, não sei como é possível permitir que alguém assim concorra. É muito injusto.”

Trump vem, há anos, semeando dúvidas sobre a imparcialidade das eleições nos EUA e, mesmo antes da reportagem do Times, já havia pressionado o Departamento de Justiça a entrar com uma ação judicial buscando impedir preventivamente que o Alasca emposse Peltola, uma ex-deputada federal, caso ela vença a eleição.

O Times noticiou na quarta-feira que assessores de Peltola trabalharam com advogados da campanha e funcionários do Comitê Democrata de Campanha para o Senado (DSCC) para recrutar dois candidatos que pudessem desviar votos do republicano Sullivan, atual titular do cargo, incluindo um professor aposentado também chamado Dan Sullivan, que está na cédula eleitoral. A ex-coordenadora de campanha de Peltola, Elisa Rios, demitida em agosto, disse ao Times que Peltola estava ciente da iniciativa.

A campanha de Peltola afirmou que “não tem envolvimento com nenhuma das campanhas de Sullivan”. O comitê também negou participação e acusou os republicanos de promoverem candidatos semelhantes em outras disputas eleitorais.

O presidente da Câmara, Mike Johnson, republicano, criticou duramente nesta quinta-feira o que chamou de “táticas malucas” dos democratas no Alasca, afirmando em entrevista à Fox News esperar que “isso não confunda os eleitores, mas foi exatamente isso que os democratas tentaram fazer aqui; eles foram pegos em flagrante”.

TRUMP NA CAROLINA DO SUL, HARRIS NA GEÓRGIA

Trump deve realizar um comício em Rock Hill, na Carolina do Sul, nesta quinta-feira, sua segunda visita em duas semanas a um Estado onde as pesquisas mostram uma disputa inesperadamente acirrada entre a senadora republicana Darline Graham e a democrata Annie Andrews.

Com o controle do Senado em jogo, os dois partidos estão mobilizando seus maiores líderes nos últimos dias da campanha. A participação mais intensa conta, do lado republicano, com Trump, enquanto os democratas mobilizaram o ex-presidente Barack Obama e a ex-vice-presidente Kamala Harris.

Pesquisas de opinião recentes mostram que os democratas estão competitivos em Estados tradicionalmente republicanos, incluindo Iowa, Kansas, Ohio e Texas.

O índice de aprovação de Trump ficou em 32% em uma pesquisa da Reuters/Ipsos concluída na segunda-feira, próximo a uma baixa recorde, à medida que os norte-americanos se mostram insatisfeitos com o alto custo de vida e a guerra com o Irã.

Cerca de 41,4 milhões de norte-americanos já haviam votado até a manhã desta quinta-feira, de acordo com o Election Lab da Universidade da Flórida. Um total de 45,9 milhões votaram antecipadamente nas eleições intermediárias de 2022.

(Reportagem de Jacob Bogage, Nolan McCaskill, Ryan Jones e Katharine Jackson, em Washington, Bo Erickson e Nandita Bose)

Siga-nos no

Google News

Receba o Boletim do Dia direto no seu e-mail, todo dia.

Comentários (0)

Deixe seu comentário

Resolva a operação matemática acima
Seja o primeiro a comentar!