Por Fabian Cambero e Nicolas Cortes
SANTIAGO, 17 Ago (Reuters) - Uma equipe liderada por pesquisadores chilenos elaborou o mapa genético mais completo já produzido de uma das duas únicas plantas com flores que crescem naturalmente na Antártida, o que pode contribuir para o desenvolvimento de culturas resistentes a condições climáticas extremas.
A Colobanthus quitensis há muito atrai o interesse científico por ser capaz de sobreviver a temperaturas congelantes, escassez de água e altos níveis de radiação ultravioleta na Antártida, um dos ambientes mais frios e secos do planeta.
À medida que o calor recorde e a seca generalizada aumentaram a urgência do debate em muitas partes do mundo sobre como adaptar a agricultura, os cientistas afirmaram que agora estão preparados para começar a avaliar se as características da planta poderiam ser transferidas para culturas agrícolas por meio de técnicas de edição genética.
O estudo, publicado na revista “Genome Biology and Evolution”, da Oxford University Press, reuniu todas as 40 estruturas em escala cromossômica que compõem o mapa genético da planta no âmbito de um projeto conhecido como Polarix.
“Conseguimos sequenciar e montar o genoma inteiro”, disse Eduardo Castro, pesquisador associado do Centro Internacional do Cabo Horn, no Chile, e autor principal do estudo ao lado de Claudio Meneses, da Pontifícia Universidade Católica do Chile.
“A ideia não é criar plantas transgênicas. A ideia é editar o genoma de uma planta com valor nutricional”, afirmou Castro.
Identificar genes individuais fica mais fácil depois que o genoma é mapeado, mas ainda pode levar tempo. Quando isso estiver concluído, Castro disse que os cientistas podem precisar de cinco a dez anos para desenvolver aplicações comerciais.
Uma equipe da Califórnia apoiou os cientistas chilenos, que afirmaram que seu trabalho se baseou em esforços anteriores do Instituto Coreano de Pesquisa Polar. Esse trabalho produziu apenas uma versão parcial do genoma e não foi publicado.



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