LUCCA — Reunidos em Lucca, na Itália, os chanceleres do G7 buscam uma posição de unidade em torno do conflito sírio após o ataque químico na semana passada atribuído ao regime de Bashar al-Assad, e a represália americana contra uma base aérea do Exército sírio. Os ministros do grupo de sete países mais ricos do mundo vão tentar reativar as negociações sobre o futuro da Síria e mandar uma mensagem clara à Rússia, principal aliado do regime de Bashar al-Assad.
Essa reunião anual permitirá aos ministros de vários países conversar pela primeira vez com o novo secretário de Estado americano, Rex Tillerson. O grupo quer mais clareza da política americana sobre a Síria, depois do presidente Donald Trump ordenar, na semana passada, um bombardeio com mísseis a uma base aérea síria, em resposta ao ataque químico.
Nos últimos dias, as autoridades americanas apresentaram visões contraditórias sobre a Síria. No domingo,Tillerson, criticou fortemente a Rússia dizendo que o país não conseguiu impedir a Síria de realizar um ataque químico contra a cidade de Khan Sheikhoun, na quarta-feira, que deixou 89 mortos, o que Damasco nega. Mas ele também esclareceu que não houve nenhuma mudança na postura militar sobre a Síria, após o ataque de retaliação dos EUA contra a base aérea militar, e que a prioridade de Washington na Síria era derrotar o Estado Islâmico (EI).
As declarações de Tillerson parecem contrariar comentários da embaixadora dos EUA na ONU no dia anterior, segundo os quais “não havia maneira de estabilizar a Síria com Assad no poder”. No entanto, ela havia dito na semana passada que a remoção de Assad já não era uma prioridade dos EUA.
O ataque químico e a represália americana mudaram muito a agenda do encontro. Além das mesas redondas que começarão nesta segunda-feira, o chanceler italiano Angelino Alfano convocou para terça-feira uma reunião especial na qual também participarão a Turquia, os Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Jordânia e Catar, confirmou a chancelaria italiana.
Os chanceleres G7 — Estados Unidos, Japão, Canadá, Alemanha, Reino Unido, França e Itália — devem abordar ainda questões como luta contra o terrorismo, a situação na Líbia e na Ucrânia, as provocações norte-coreanas e o acordo sobre o programa nuclear iraniano.

