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Governo da Venezuela acionou operações de segurança dias antes de suposto ataque

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CARACAS - Relatórios confidenciais da Força Armada Nacional Bolivariana (Fanb) revelaram, segundo o jornal “El Nacional”, que duas operações de segurança em Caracas foram ativadas antes do voo do helicóptero do Corpo de Investigações Científicas, Penais e Criminais (CICPC) sobre o Palácio de Miraflores e o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) com uma mensagem convocando o povo à desobediência civil. A primeira foi convocada em 22 de junho para acompanhar o ato de transmissão de controle da Fanb em Fuerte Tiuna e a outra em 26 de junho, nas imediações da sede do governo, o Palácio Miraflores, a pedido dos militares.

As informações levantam suspeitas de que o governo do presidente Nicolás Maduro já sabia da ação paramilitar pois, com a Força Armada acionada, dificilmente seria possível que piloto Oscar Pérez conseguisse roubar um helicóptero de uma instalação militar e voar por Caracas. Segundo o ministro do Interior, Néstor Reverol, as autoridades procuram Pérez, e pediram a Polícia Internacional (Interpol) declarar um alerta vermelho para capturá-lo onde for econtrado. O vice-presidente venezuelano Tareck el Aissami assegurou, em entrevista da televisão, que o helicóptero foi localizado em Osma, no estado de Vargas, mas sem ninguém preso. Forças especiais foram destinadas à área.

O vice-presidente da Comissão de Defesa do Parlamento, Armando Armas, acusou o governo de provocar “tremores” com a violência em Aragua e o helicóptero que voou sobre os prédios públicos para ocultar “o verdadeiro terremoto”:

— Buscam desmobilizar o protesto e fazer expurgos internos, mas não nos desviarão do caminho para restituir a linha constitucional.

A coordenadora da ONG Controle Cidadão, Rocío San Miguel, considerou “inexplicável” que a Força Armada careça de um mecanismo de alerta prévio para proteção de Caracas e que a Guarda Nacional Bolivariana não tenha reportado a mudança no plano de voo:

— Unidades terrestres e aéreas deveriam reagir, seguir a aeronave até sua descida ou, inclusive, derrubá-la, de acordo com a Lei de Defensa Integral do Espaço Aéreo e seu regulamento. O novo chefe do Ceofanb (Comando Estratégio Operacional da Fanb), almirante Remigio Ceballos Ichaso, deve esclarecer esse caso e informar as correções.

Segundo o general aposentado Clive Alcalá, o episódio foi uma montagem da gestão de Maduro para desviar atenção da repressão de seu governo:

— O governo usou isso para ocultar as horas de terror de Aragua; o ataque e a entrada irregular de caixas da CNE à Assembleia Nacional e a ameaça de Maduro de que trocaria votos por armas. Os atacantes lançaram granadas sonoras, mas para gerar paranois. Por que a Força Aérea não interveio? — questiona o ex-militar.

O Poder Judiciário acolheu, no entanto, o argumento do governo e também falou em “ato terrorista”. O presidente do TSJ, Maikel Moreno, anunciou que uma comissão denunciará o ataque em organismos multilaterais e exigiu que o governo identificasse os responsáveis “e possíveis novas células” terroristas.

— O Poder Judiciário não se verá intimidado por grupos irregulares, nem por amedontramentos ingerentes. Exigimos o fim de atos hostis contra o TSJ — disse o presidente do Tribunal.

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