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Haiti põe fim a uma espera de 52 anos pela Copa do Mundo e espera levar alegrias a uma nação em crise

Reuters
Haiti põe fim a uma espera de 52 anos pela Copa do Mundo e espera levar alegrias a uma nação em crise
Haiti põe fim a uma espera de 52 anos pela Copa do Mundo e espera levar alegrias a uma nação em crise

Por Joe Brock

LOS ANGELES, 1 Jun (Reuters) - O Haiti volta à Copa do Mundo após uma ausência de 52 anos, tendo disputado todas as suas partidas pelas Eliminatórias da Concacaf em campos neutros devido à violência de gangues no país e diante de grandes desafios em um grupo que conta com o pentacampeão Brasil, Marrocos e Escócia.

A seleção caribenha, conhecida como Les Grenadiers, participará da Copa do Mundo masculina pela segunda vez. A sua participação anterior foi em 1974.

Aquela campanha terminou na fase de grupos, mas o Haiti teve o seu momento quando Emmanuel Sanon marcou contra a Itália, encerrando o recorde de 1.142 minutos sem ser vazado do goleiro italiano Dino Zoff.

Na competição deste ano, o Haiti é o grande azarão do Grupo C, mas a sua participação em si já será suficiente para alegrar os torcedores em um país assolado por crises humanitárias e de segurança.

“Não temos medo de ninguém”, disse Duckens Nazon, maior artilheiro da história do Haiti, à Reuters. “Chegamos com humildade, mas também orgulhosos porque somos haitianos”, acrescentou o jogador de 32 anos, que marcou seis dos seus 44 gols pela seleção nas eliminatórias.

Durante a campanha de classificação para 2026, o Haiti sediou todos os seus jogos “em casa” em campos neutros, principalmente em Curaçao.

A seleção não joga uma partida internacional do time principal como mandante no seu próprio campo desde 2021, quando o Haiti foi tomado pela violência de gangues, após o assassinato do presidente Jovenel Moise. Em março de 2024, gangues armadas tomaram o estádio nacional, o Stade Sylvio Cator.

O técnico do Haiti, o francês Sébastien Migne, ex-treinador de várias seleções africanas, nunca pisou no país. Migne, auxiliar de Camarões na última Copa do Mundo no Catar, tem trabalhado arduamente para reforçar o elenco com jogadores de origem haitiana que vivem no exterior.

O atacante Nazon joga pelo Esteghlal, do Irã, e conseguiu concretizar uma fuga dramática de Teerã no dia em que Estados Unidos e Israel iniciaram uma campanha de bombardeios no início deste ano.

No meio-campo, Jean-Ricner Bellegarde, de 27 anos, traz experiência europeia como titular do Wolverhampton, da Inglaterra. O goleiro veterano Johny Placide, de 38 anos, é o capitão e joga pelo Bastia, da segunda divisão francesa.

O Haiti liderou seu grupo na fase final das Eliminatórias da Concacaf para garantir vaga na Copa do Mundo, à frente de Honduras, Costa Rica e Nicarágua.

Nazon espera que sua equipe possa levar um pouco de alegria ao seu conturbado país nas próximas semanas. “Isso me dá arrepios”, disse. “Essa emoção é inacreditável.”

(Reportagem de Joe Brock)

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