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‘Incêndio teve mão criminosa’, diz presidente da Liga dos Bombeiros de Portugal

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LISBOA — O presidente da Liga dos Bombeiros de Portugal, Jaime Marta Soares, afirmou nesta quarta-feira que tem certeza que o incêndio em Pedrógão Grande, que fez 64 vítimas, teve "mão criminosa". Soares questiona a versão de que o fogo tenha tido origem numa trovoada seca, ja que acredita que há a diferença de duas horas entre o começo do incêndio e a trovoada.

— Tenho essa convicção. A trovoada foi mais tarde que o início do incêndio. O incêndio já tinha grandes proporções quando ela começou.

Soares pediu que se apurem todos os “pormenores” para que a situação seja esclarecida. Segundo a mídia local, a Polícia Judiciária (PJ) quer ouvir o presidente da Liga dos Bombeiros para entender a razão das suspeitas. As investigações estão em andamento, mas uma fonte da PJ disse ao jornal “Expresso” que não foi detectada a "intervenção dolosa de terceiros".

Mais de mil bombeiros prosseguiam nesta quarta-feira em uma luta sem trégua contra o gigantesco incêndio que afeta a região central de Portugal desde sábado, enquanto os funerais das primeiras vítimas provocavam grande comoção no país. No início da manhã, os aviões sobrevoavam Pedrógão Grande e liberavam água sobre as chamas que devastam as colinas de pinheiros e eucaliptos, perto da pequena localidade de Pincha, onde o incêndio permanece ativo.

— Quase 95% do incêndio está sob controle, ou seja, contido mas não apagado — explicou à imprensa o comandante regional da Proteção Civil, Vitor Vaz Pinto.— É um grande avanço.

A agência meteorológica portuguesa anunciou condições mais favoráveis para o combate ao fogo, com temperaturas que não devem superar 35 graus Celsius, oito a menos que na terça-feira, e uma umidade relativa do ar maior que nos dias anteriores. Quase 1.200 bombeiros, 400 veículos e 13 aviões estão mobilizados na região de Pedrógão Grande para enfrentar as chamas.

Na terça-feira, o incêndio parecia estar sob controle quando ganhou força de repente, o que obrigou as autoridades a esvaziar quase 40 aldeias ameaçadas pelas chamas. Autoridades locais estão preocupadas com a recusa de alguns habitantes de abandonar suas residências.

— Temos que proteger as casas. Vim ajudar meus amigos que moram aqui — afirmou Sonia Pereira, de 29 anos.

Desde o início no sábado, o incêndio provocou 64 mortes e deixou mais de 200 feridos, segundo um balanço atualizado. Os primeiros funerais de vítimas aconteceram na terça-feira, perto de áreas onde as chamas continuam provocando estragos. Uma multidão comovida se reuniu na aldeia de Sarzedas de São Pedro para a despedida de seis pessoas que morreram nas proximidades.

As cerimônias prosseguem nesta quarta-feira e o país respeitou um minuto de silêncio às 13h local (9h de Brasília), a pedido do presidente da Assembleia Nacional, Eduardo Ferro Rodrigues, que pediu aos portugueses coesão no momento de grande dor.

Os agentes trabalhavam para tentar identificar os cadáveres, um processo muito difícil em consequência do avançado estado de carbonização. Apenas metade das vítimas foram identificadas até o momento. A imprensa continua tentando compreender as circunstâncias da tragédia na “estrada da morte”, a nacional 236, onde 47 pessoas morreram no sábado, bloqueadas pelo fogo.

O primeiro-ministro Antonio Costa exigiu explicações rápidas à polícia, acusada por alguns sobreviventes de ter direcionado para esta estrada um grupo de pessoas que tentava fugir das chamas. Costa afirmou, no entanto, que no momento não há provas de um erro dos agentes. O tempo de reação dos serviços de emergência a partir da informação do incêndio no sábado ainda provoca debate. De acordo com o jornal Público, as unidades da Proteção Civil demoraram quase duas horas para ajudar os bombeiros locais a partir do momento do alerta.

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