Por Leticia Fucuchima
SÃO PAULO, 24 Fev (Reuters) - A transmissora ISA Energia registrou um lucro líquido de R$482,7 milhões no quarto trimestre, 40,4% abaixo do apurado um ano antes, de acordo com balanço financeiro divulgado nesta terça-feira.
Já o resultado operacional medido pelo Ebitda somou R$ 854 milhões no período, alta de 7,5% no comparativo anual.
Com isso, a empresa fechou 2025 com uma queda de 21,7% do lucro líquido acumulado frente a 2024, para R$1,62 bilhão, enquanto o Ebitda reduziu 2,4%, para R$3,45 bilhões.
Segundo os executivos da ISA Energia, os números anuais foram afetados pelo maior custo da dívida, que aumentou para suportar os investimentos bilionários em ampliação e aperfeiçoamento do portfólio de linhas e subestações, além da redução do fluxo financeiro da indenização referente à Rede Básica Sistema Existente (RBSE).
O resultado trimestral, por sua vez, foi impactado ainda por outros fatores, como a declaração de juros sobre capital próprio em frequência e trimestres diferentes em 2024 e 2025.
"Este ano (2025) foi uma ilustração muito boa da estratégia que a gente desenhou e está implementando com muita disciplina e bons resultados... Sabendo que a RBSE (indenização) é finita, gente vem acelerando a busca de criação de valor para a companhia", disse o CEO, Rui Chammas, em entrevista à Reuters.
Ele destacou que os investimentos da transmissora alcançaram um recorde de R$5,1 bilhões em 2025, com crescimento de mais de 40% ante 2024, diante do andamento de projetos conquistados em leilões nos últimos anos e também dos reforços e melhorias feitos nos ativos existentes.
Mas os aportes do ciclo atual já alcançaram o pico e devem ser menores neste ano, apontou.
Para 2026, ele afirmou que a ISA manterá o foco na entrega dos projetos em carteira, ao mesmo tempo em que avaliará oportunidades nos leilões de transmissão e de capacidade em baterias, podendo entrar nas disputas caso os projetos tenham retornos atrativos e não penalizem a alavancagem da companhia.
O índice de alavancagem da transmissora deverá ficar próximo de 4 vezes a dívida líquida sobre Ebitda em 2026 e 2027, sendo esperada uma redução mais significativa a partir de 2028, quando vários projetos começarão a gerar receita, apontou a diretora financeira, Silvia Wada.
A ISA Energia ainda não tomou uma decisão sobre participar do próximo certame de transmissão, que oferecerá nove projetos e foi dividido em duas sessões públicas, sendo a primeira em 27 de março.
"Uma questão fundamental vai ser o fluxo de caixa que cada projeto potencial demandaria no tempo. Em 2025 tivemos um pico de Capex e, por consequência, de fluxo de caixa, de projetos que a gente ganhou em 2022 e 2023. Então, tem um 'lag de tempo', e a gente está analisando isso."
(Por Letícia Fucuchima)

