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Israel vai intensificar verificações em  pilotos após susto com voo da flydubai

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Israel vai intensificar verificações em  pilotos após susto com voo da flydubai
Israel vai intensificar verificações em  pilotos após susto com voo da flydubai

Por Alexander Cornwell e Joanna Plucinska

JERUSALÉM, 30 Set (Reuters) - Israel deve intensificar as verificações de segurança em pilotos que voam para o país, afirmou um porta-voz do gabinete do primeiro-ministro, após a notícia de que um copiloto de um voo da flydubai com destino a Tel Aviv teria esfaqueado o piloto e tentado fazer o avião cair.

O dramático incidente só foi contido depois que os passageiros ajudaram a imobilizar o copiloto, antes que outros pilotos de plantão da companhia aérea a bordo pousassem a aeronave com segurança na Arábia Saudita. A companhia aérea estatal de Dubai alertou contra “especulações prematuras” e afirmou que muitos detalhes ainda não estavam esclarecidos.

As autoridades sauditas prenderam e interrogaram o copiloto do voo FZ1073 da flydubai, que partiu dos Emirados Árabes Unidos com destino a Israel e transportava 174 pessoas, quase todas israelenses, afirmou o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.

O incidente intensificou as questões sobre como os pilotos são avaliados e a que tipos de protocolos de segurança estão sujeitos, incluindo, mas não se limitando ao Oriente Médio, segundo autoridades governamentais e analistas da aviação.

O governo de Israel frequentemente exorta israelenses e judeus a permanecerem vigilantes ao viajar para fora de Israel, em meio a preocupações de que possam ser alvos de ataques. Isso ocorre em um momento em que o antissemitismo tem crescido globalmente nos últimos anos, incluindo ataques violentos e, às vezes, mortais contra judeus. Até o momento, porém, nenhum motivo foi apresentado para o incidente envolvendo a flydubai.

“Cada piloto que for voar para Israel, vamos conhecer a identidade dos pilotos, saber quem eles são e realizar algum tipo de verificação de segurança”, disse Doron Spielman, porta-voz do gabinete do primeiro-ministro israelense, à Reuters.

Ele disse que Netanyahu instruiu as autoridades a “reforçar a segurança” nos voos para Israel operados por companhias aéreas israelenses e estrangeiras.

“Onde quer que um israelense esteja voando para Israel. Nossa tarefa agora é fazer o nosso melhor — mesmo que não sejam companhias aéreas israelenses — para garantir que esses procedimentos de segurança sejam muito mais rigorosos”, disse Spielman.

O órgão regulador da aviação civil dos Emirados Árabes Unidos, a GCAA, não respondeu a um pedido da Reuters para comentar sobre como seus pilotos são avaliados.

Netanyahu identificou o piloto que foi atacado como o capitão Smit Machchhar, cidadão indiano. Ele disse que, apesar de ter sido “esfaqueado e gravemente ferido”, Machchhar reagiu e abriu a porta da cabine, permitindo que passageiros e tripulantes dominassem o agressor.

AVALIAÇÃO DE PILOTOS FICOU MAIS RIGOROSA APÓS O 11 DE SETEMBRO

Os pilotos têm passado por rigorosas verificações de segurança, especialmente desde os ataques de 11 de setembro em Nova York, há 25 anos, disseram especialistas à Reuters.

“Todo piloto passa por extensas verificações de antecedentes, além de avaliações médicas e psicológicas contínuas”, disse Philip Baum, professor visitante de segurança da aviação na Universidade de Coventry, no Reino Unido.

Cada país e companhia aérea é responsável por implementar os padrões de triagem e segurança estabelecidos pela Organização da Aviação Civil Internacional, mas há flexibilidade na forma como esses padrões são interpretados, disseram especialistas à Reuters.

Dois pilotos que trabalham no Oriente Médio, mas não para a flydubai, disseram à Reuters que os pilotos precisam passar pelas mesmas verificações de segurança que os passageiros, o que significa que não poderiam levar armas, como facas ou revólveres, a bordo.

“A responsabilidade é sempre da companhia aérea”, disse Eric Schouten, diretor da consultoria de inteligência aeronáutica Dyami.

“A companhia aérea precisa realizar uma verificação adequada, de acordo com as diretrizes nacionais, sobre quem está na cabine de comando, e cada país faz isso de maneira diferente.”

A Agência Europeia para a Segurança da Aviação (Easa) informou à Reuters que a certificação e a supervisão de segurança da flydubai são de competência da GCAA. “Isso inclui a responsabilidade de garantir que a operadora cumpra os requisitos aplicáveis relativos às tripulações de voo e à sua aptidão para voar”, afirmou a Easa.

A Reuters não conseguiu determinar qual arma foi usada pelo piloto para esfaquear o outro. Passageiros a bordo do voo relataram que um homem segurava uma faca enquanto um dos pilotos estava ensanguentado. Um piloto que voava na região, mas não pela flydubai, disse à Reuters que os pilotos podem ter acesso a facas de metal do serviço de refeições ou a um machado de emergência disponível na maioria das cabines de comando.

Spielman disse que Israel já possui algumas das verificações de segurança mais rigorosas, e que estas só tendem a se tornar ainda mais rigorosas.

“Esta é uma oportunidade para todos acordarem. Israel tem as verificações de segurança mais minuciosas do mundo, e elas existem por um motivo. Elas existem para que um incidente como este não ocorra”, disse ele.

(Reportagem de Sarah el-Safty, Alexander Cornwell, Federico Maccioni e Joanna Plucinska;)

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