Por Olivia Le Poidevin
GENEBRA, 10 Mar (Reuters) - A crise humanitária no Líbano se aprofundou em meio à guerra mais ampla no Oriente Médio, com 84 crianças mortas e mais de 667.000 pessoas deslocadas, informaram duas agências da ONU nesta terça-feira.
O Líbano foi arrastado para a guerra dos EUA e Israel contra o Irã neste mês, quando o grupo militante libanês Hezbollah, apoiado pelo Irã, lançou foguetes e drones contra Israel, que respondeu com um pesado bombardeio em todo o país.
Até o momento, 486 pessoas foram mortas na guerra e 1.313 ficaram feridas, das quais 259 são crianças, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).
"O conflito durou apenas sete dias e já estamos vendo que quase 100 crianças perderam suas vidas", disse Abdinasir Abubakar, representante da OMS no Líbano.
"Uma razão pela qual temos um número elevado de crianças é que a maioria dos ataques que vemos são, na verdade, em centros urbanos, como Beirute", disse ele, acrescentando que os ataques aéreos de Israel, que, segundo ele, têm como alvo a infraestrutura do Hezbollah, estão colocando em risco a vida de civis.
A atual taxa de deslocamento no Líbano está ultrapassando os níveis observados durante a guerra de 2023-24 entre o Hezbollah e Israel, informou a Agência de Refugiados da ONU (Acnur) nesta terça-feira. Durante esse conflito, 886.000 pessoas foram deslocadas internamente no Líbano, enquanto dezenas de milhares de israelenses foram evacuados das cidades do norte, perto da fronteira libanesa.
ISRAEL ORDENA RETIRADA
O aumento acentuado do número de deslocados no Líbano nesta semana decorre das ordens de retirada em larga escala emitidas pelo exército israelense para o sul do Líbano e para os subúrbios densamente povoados do sul de Beirute, o que, segundo afirmou o chefe de direitos humanos da ONU na sexta-feira, levantou sérias preocupações.
A OMS alertou que os hospitais do Líbano e os profissionais da linha de frente estavam sob "pressão extraordinária" tentando lidar com o número crescente de pacientes.
Cinco hospitais estão agora fora de serviço, quatro estão parcialmente danificados e 43 centros de saúde primária estão fechados -- principalmente no sul, que foi amplamente evacuado, disse Abubakar.
"Muitas das pessoas que estão fugindo também estavam fugindo em 2024. Conhecemos muitas pessoas que tiveram suas casas completamente destruídas, membros da família mortos e assim por diante. Portanto, isso significa que as pessoas não estão esperando para ver o que acontecerá em seguida. Elas partem imediatamente", disse Karolina Lindholm Billing, representante do Acnur no Líbano.
Cerca de 120.000 pessoas estão hospedadas em abrigos designados pelo governo, enquanto outras ainda estão procurando um lugar para ficar, disse o Acnur, citando dados do governo.
"Muitos outros estão em casa de parentes ou amigos ou ainda estão procurando acomodação, e vemos carros alinhados ao longo das ruas com pessoas dormindo neles e também nas calçadas", disse Billing.

