WASHINGTON — O líder do Estado Islâmico (EI), Abu Bakr al-Baghdadi, provavelmente ainda está vivo e se escondendo no vale do rio Eufrates, afirmou na quinta-feira Stephen Townsend, comandante da coalizão internacional contra o grupo extremista no Iraque e na Síria. Townsend admitiu não ter uma pista de onde Baghdad esteja, mas acredita que pode ter fugido com outros soldados do Estado Islâmico para a região do meio do Eufrates, saindo da Síria para o Iraque, após a coalizão e as forças locais atacarem os redutos do EI de Mossul, Raqqa e Tal Afar.
— Procuramos por ele todos os dias. Não acredito que esteja morto — declarou aos repórteres em teleconferência o tenente-general Stephen Townsend. —A última posição do Estado Islâmico será no Vale do rio Eufrates. Quando o encontrarmos, acredito que tentaremos matá-lo primeiro. Provavelmente não vale a pena todo o problema para tentar capturá-lo.
Com US$25 milhões como recompensa por sua morte, Baghdadi, nascido no Iraque, tem evitado de forma bem-sucedida os esforços de captura por mais de seis anos. O Observatório Sírio dos Direitos Humanos, que monitora o conflito, disse em meados de junho que soube de líderes do EI na província síria de Deir Ezzor que Baghdadi estava morto. O Exército russo também declarou em junho que estava tentando verificar se ele havia sido morto em maio durante um ataque aéreo na Síria.
— Não vi nenhuma evidência convincente, da Inteligência, outras fontes, boatos ou qualquer outra coisa de que estivesse morto. Há, inclusive, indicações de canais da Inteligência de que ainda está vivo — assinalou Townsend.
A morte de Baghdadi — que tem sido frequentemente relatada desde que ele declarou um califado em 2014 numa mesquita em Mossul — seria um dos maiores golpes para o Estado Islâmico, que está tentando defender o território que ainda tem na Síria e no Iraque. Nascido em Ibrahim al-Samarrai, Baghdadi, de 46 anos, se separou da al-Qaeda em 2013, dois anos após a captura e morte do líder do grupo, Osama bin Laden.
A ascensão de Baghdadi de estudante do Alcorão e líder religioso a chefe do principal grupo terrorista do planeta é recheada de mistérios e informações conflitantes. Ele entrou para a insurgência jihadista Salafi em 2003, no ano da invasão liderada pelos EUA no Iraque, e foi capturado pelos americanos. Baghdadi foi solto um ano depois porque os EUA pensaram que ele era um civil e não uma ameaça militar.
Em 2010, como líder da al-Qaeda no Iraque, desafiou o líder central da organização, Ayman al-Zawahiri, propondo uma fusão entre seu grupo e a Frente al-Nusra, braço do grupo na Síria. A medida ousada levou a uma cisão entre as organizações, e a facção liderada por Baghdadi, rebatizada de Estado Islâmico no Iraque, se expandiu por conta própria para o território sírio, proclamando um califado global, em junho de 2014.
No auge de seu poder há dois anos, o Estado Islâmico governou milhões de pessoas em um território que ia do Norte da Síria através de cidades e aldeias ao longo dos vales do rio Tigre e do rio Eufrates até os arredores da capital iraquiana, Bagdá. O grupo jihadista reivindicou e incentivou ataques em dezenas de cidades, incluindo Paris, Nice, Orlando, Manchester, Londres e Berlim, e na vizinha Turquia, Irã, Arábia Saudita e Egito.
No Iraque, organizou dezenas de ataques visando as áreas muçulmanas xiitas. Uma bomba de caminhão em julho de 2016 matou mais de 324 pessoas em uma área lotada de Bagdá, o ataque mais mortal desde a invasão do Iraque em 2003.
O primeiro-ministro iraquiano, Haider al-Abadi, declarou vitória sobre o Estado Islâmico em Mossul em julho, marcando a maior derrota do grupo radical sunita desde que os militantes se espalharam pelo norte do Iraque há três anos. Aquela que já foi a segunda mais importante cidade do Iraque foi, finalmente, após nove meses de campanha militar, declarada libertada das mãos do EI. Houve celebração nas ruas da cidade e de Bagdá após o anúncio.
O grupo extremista ainda controla territórios no Leste e no centro da Síria, apesar de ter perdido terreno desde 2015, e seu reduto de Raqqa, no Norte, estar cercado pelas forças apoiadas pelos Estados Unidos. De acordo com um estudo do escritório de análise IHS Markit, divulgado no mês passado, o EI perdeu em três anos 60% do território que havia conquistado e 80% de suas receitas.

