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Mãe de turista assassinada acusa Trump de usar morte da filha para discriminar muçulmanos

LONDRES — A mãe de uma turista britânica assassinada na Austrália, Rosie Ayliffem acusou o presidente dos EUA, Donald Trump, de usar a morte da sua filha para discriminar os muçulmanos. No ano passado, a jovem mochileira Mia Ayliffe-Chung, de 21 anos, foi morta por um francês que, segundo a polícia australiana, gritou "Allahu Akbar" (Deus é grande) no momento do crime. E, agora, Trump incluiu a história em uma lista de atentados jihadistas que supostamente não foram noticiados pela imprensa — embora o caso tenha sido amplamente relatado pela imprensa.

No ataque, morreram Mia e o seu amigo Tom Jackson, de 30 anos. Em uma carta aberta ao presidente americano publicada nas redes sociais, Rosie, mãe de Mia, condenou o vínculo estabelecido entre o crime e o islamismo radical.

“A possibilidade de que as mortes de Mia e Tom tenham sido consequência de um ataque terrorista islâmico foi descartada nos primeiros momentos da investigação”, escreveu Rose.

O francês Smail Ayad foi acusado pelos assassinatos, cometidos em um albergue de Home Hill, ao norte do estado de Queensland. A polícia australiana informou que o francês gritou "Allahu Akbar" (Deus é grande) no momento do crime e também quando foi preso. Mas autoridades indicaram posteriormente que não foi detectado nenhum vínculo entre o criminoso e redes terroristas.

“Qualquer idiota pode gritar Allahu Akbar ao cometer um crime”, escreveu a mãe de Mia, que afirmou ter viajado muito pelo mundo islâmico e ter encontrado apenas respeito e hospitalidade. “Esta difamação de nações inteiras e suas populações com base na religião é uma recordação terrível do horror que pode acontecer quando nos permitimos ser liderados por ignorantes para a escuridão e o ódio. A morte de minha filha não será utilizada para promover esta perseguição insana de inocente”.

Trump acusa a mídia internacional de ser desonesta e não noticiar uma série de ataques extremistas. O republicano, no entanto, nunca apresentou evidências concretas para as suas alegações. A Casa Branca publicou nesta semana uma lista de 78 supostos atentados que teriam sido executados ou inspirados pelo grupo terrorista Estado Islâmico.

Vários veículos de comunicação de renome internacional — como BBC, “The Guardian”, “The Washington Post”, “The New York Times” e “Le Monde” — responderam às acusações publicando compilados de matérias das suas coberturas dos ataques citados por Trump.

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