ISLAMABAD/CABUL, 2 Abr (Reuters) - Oito países de maioria muçulmana "condenaram veementemente" a iniciativa de Israel de aprovar uma lei que torna a morte por enforcamento uma sentença padrão para palestinos condenados em tribunais militares por ataques mortais, segundo uma declaração conjunta divulgada pelo Paquistão na quinta-feira.
A lei, aprovada pelo Parlamento de Israel na segunda-feira, será aplicada aos israelenses condenados por assassinato cujos ataques tenham como objetivo "acabar com a existência de Israel", o que significa que a pena de morte seria aplicada aos palestinos, mas não aos judeus israelenses que cometeram crimes semelhantes, segundo os críticos.
O presidente palestino, Mahmoud Abbas, condenou a legislação como uma violação da lei internacional e uma tentativa frustrada de intimidar os palestinos.
Paquistão, Turquia, Egito, Indonésia, Jordânia, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos disseram que a lei constitui uma "escalada perigosa" e enfatizaram a "necessidade urgente de se abster de medidas" que possam inflamar ainda mais as tensões, informou o Ministério das Relações Exteriores do Paquistão.
"Eles enfatizaram a importância de garantir a responsabilidade e pediram esforços internacionais reforçados para manter a estabilidade e evitar mais deterioração", disse.
O governo do Taliban, no vizinho Afeganistão, também classificou a legislação como uma "continuação da opressão", conclamando "organizações internacionais e países influentes a tomar medidas imediatas e práticas para evitar tais ações".
A lei atraiu críticas semelhantes dos aliados ocidentais de Israel, em um momento em que o país já está sob escrutínio pela crescente violência dos colonos judeus contra os palestinos na Cisjordânia ocupada.
União Europeia e Alemanha expressaram preocupação com a medida, que também teve a oposição do Canadá.
Os defensores da lei argumentam que a pena de morte impedirá que os palestinos realizem ataques mortais contra israelenses ou tentem sequestros com o objetivo de afetar os acordos de troca de palestinos presos em prisões israelenses.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, em um esforço para evitar reações adversas, pediu que alguns elementos da legislação fossem suavizados, informou a mídia israelense.
(Reportagem de Ariba Shahid e Sayed Hassib)


