Por Jana Choukeir e Elwely Elwelly e Michael Martina
DUBAI/MANILA, 22 Jul (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prometeu nesta quarta-feira destruir uma ponte ou usina de energia iraniana sempre que o Irã disparar contra um navio no Estreito de Ormuz, elevando a tensão após os houthis, aliados do Irã no Iêmen, ameaçarem uma segunda rota vital para o transporte do setor de energia.
Cinco petroleiros mudaram de rota no Mar Vermelho para evitar o Estreito de Bab el-Mandeb nesta quarta-feira, um dia após a ameaça dos houthis de bloqueio das exportações de petróleo sauditas chamar a atenção para um novo risco ao abastecimento global de petróleo. Três petroleiros carregados com petróleo saudita com destino à China e à Índia já haviam dado meia-volta na terça-feira.
Em resposta à ameaça de Trump à infraestrutura do Irã, uma fonte militar iraniana citada pela agência de notícias Tasnim afirmou que Teerã retaliaria contra a infraestrutura na região.
“Se nossa segurança não for garantida, nenhuma infraestrutura estará a salvo... Já dissemos muitas vezes que a situação no estreito não voltará a ser como era antes da guerra”, afirmou o principal negociador do Irã, Mohammad Baqer Qalibaf, em uma publicação no X.
O bloqueio quase total do Estreito de Ormuz, no Golfo, pelo Irã alimentou a inflação em todo o mundo, e o novo risco à navegação representado pelos houthis, que controlam áreas próximas ao Estreito de Bab el-Mandeb, levou os preços do petróleo a uma alta de quase seis semanas.
Os futuros do petróleo Brent chegaram a mais de US$95 por barril antes de recuarem para cerca de US$93 no meio da manhã, horário dos EUA.
Os preços da gasolina nos EUA, que têm pesado sobre a popularidade de Trump nas pesquisas a poucos meses das eleições de meio de mandato, em novembro, voltaram a subir para mais de US$4 por galão.
Milhões de barris de petróleo saudita por dia têm sido encaminhados para o porto de Yanbu, no Mar Vermelho, a fim de evitar o Estreito de Ormuz. Se os carregamentos não puderem passar pelo Estreito de Bab el-Mandeb, no sul do Mar Vermelho, resta apenas a rota norte pelo Canal de Suez, que acrescenta semanas à viagem e aumenta significativamente os custos de frete e trânsito.
ATOLEIRO
Nos últimos dias, ataques dos EUA se expandiram do sul para as regiões oeste e central do Irã, que bombardeou importantes usinas de dessalinização de água e de energia no Kuweit nesta semana e atacou alvos militares dos EUA no país, no Barein e na Jordânia.
O Irã havia reforçado suas forças militares, antecipando a violação de acordos por parte de seus adversários, disse o comandante-chefe do Exército, major-general Amir Hatami. A mídia iraniana também citou o porta-voz da Comissão de Segurança Nacional e Política Externa do Parlamento, Hasan Qashqavi, afirmando que Trump estava em um "atoleiro".
Um funcionário do Ministério da Saúde iraniano afirmou que 53 civis foram mortos e 592 ficaram feridos desde o final do mês passado; as Forças Armadas dos EUA afirmaram que não têm civis como alvo.
A guerra resultou na morte de 18 militares norte-americanos e deixou mais de 450 soldados feridos. Trump participou, nesta quarta-feira, de uma cerimônia na Base Aérea de Dover, em Delaware, em homenagem a quatro militares norte-americanos mortos em ataques iranianos a bases militares nos últimos dias -- três na Jordânia e um no Iraque.
“Para mim, é uma das coisas mais difíceis de se fazer como presidente. Mas precisa ser feito”, disse ele antes de partir para a cerimônia.
(Reportagem adicional de Ahmed Elimam, Rick Noak, Susan Heavey e as agências da Reuters; )



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