BRASÍLIA — Indicado pelo presidente Michel Temer para ser ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes exagerou na tentativa de impressionar os senadores que terão que aprovar seu nome. O ex-ministro da Justiça entregou ao Senado um currículo de 109 páginas, no qual lista de medalha comemorativa recebida por ocasião do centenário do Corpo de Bombeiros a uma entrevista que concedeu. Moraes gasta dezenas de páginas para enumerar as obras publicadas, as bancas acadêmicas das quais participou e as palestras que já deu, mas é econômico ao falar de seu escritório de advocacia. E peca ao apresentar alguns dados desatualizados.
O documento entregue pelo governo ao Senado tem, ao todo, 132 páginas. Além do currículo, há outros textos, como uma apresentação de quatro páginas em que Moraes se diz apto a ocupar o cargo de ministro do STF. “Espero que a presente argumentação escrita, apresentada de forma sucinta, tenha demonstrado minha experiência profissional, formação técnica adequada e afinidade intelectual e moral para o exercício do honroso cargo de ministro de nossa Corte Suprema”, escreveu Moraes.
No texto, ele também diz que abriu escritório de advocacia em julho de 2010, em São Paulo, e deixou de ser sócio em maio de 2016, ao virar ministro da Justiça.
Na página 4 do currículo, Moraes diz ter vínculo institucional com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), como conselheiro independente desde 2012. O Ministério da Justiça afirmou que, em dezembro de 2014, pouco antes de se tornar secretário de Segurança de São Paulo, Moraes se desligou do conselho da Febraban.

