Uma comitiva de deputados da base do governo Lula foi aos Estados Unidos nesta semana para articular uma frente política com integrantes do partido democrata no Capitólio para que a Casa Branca recue da classificação do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas.
Esse grupo de parlamentares brasileiros vai apresentar um documento com dez sugestões de cooperação entre o País e os Estados Unidos no combate ao crime organizado.
Não haverá nenhum encontro com deputados republicanos, partido do presidente Donald Trump, e nenhum representante da Casa Banca.
"A classificação de facções brasileiras como organizações terroristas por decisão unilateral estrangeira cria risco de distorção política, efeitos extraterritoriais indevidos e tensionamento da soberania nacional", diz o documento. "A resposta adequada está na cooperação penal, policial, financeira e diplomática, com controle das autoridades competentes, preservação da cadeia de custódia da prova, respeito à jurisdição brasileira e foco em resultados concretos."
"O Brasil tem interesse em cooperação internacional séria contra o andar de cima do crime organizado. Essa cooperação deve ser feita pelos canais corretos, com base em provas, sob controle das autoridades competentes, com respeito ao direito internacional e com foco na desarticulação econômica das facções", disse o texto da mensagem que será enviada aos americanos.
Os deputados governistas já estão nos Estados Unidos nesta quarta-feira, 3, e ficarão até a sexta-feira, 5. Na agenda estão previstos encontros com deputados do Partido Democrata, de oposição a Trump.
O grupo também se reunirá com integrantes da Organização dos Estados Americanos (OEA) e da Comissão Intermericana de Direitos Humanos.
"Estamos aqui neste termo de cooperação colocando o que o governo brasileiro pretende", disse o líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), um dos integrantes da comitiva. "É o intercâmbio que queremos. Não interferência direta dos Estados Unidos, dizendo o que não podemos ou não fazer."
As dez sugestões de colaboração entre os dois países são:
Criação de um grupo de trabalho bilateral com participação de entre outros, a Polícia Federal, ministério da Justiça, FBI e o Departamento de Justiça americano;
Canal permanente de inteligência financeira;
Rastreamento de armas americanas
Equipes conjuntas de investigação;
Fortalecimento do Tratado de Assistência Jurídica;
Integração com a Interpol;
Agenda de combate a crimes na Amazônia;
Enfrentamento ao tráfico de pessoas;
Medidas internas nos Estados Unidos: exigência de que o governo americano adote políticas para reduzir o fluxo de armas e a demanda por drogas, além de fiscalizar a lavagem de dinheiro em seu próprio sistema financeiro;
Mecanismo periódico de prestação de contas entre os dois países.



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