Égua, maninho! O amazonense já enfrenta gasolina, supermercado, aluguel, luz, água, transporte e mais um bocado de boleto que aparece na caixa de correio parecendo visita que ninguém convidou. Agora, quando entram as BTs nessa brincadeira, o bolso começa a pedir socorro.
No começo é tudo muito bonito.
“É só uma parcela.”
“Cabe no orçamento.”
“Depois eu me organizo.”
Pois é... o famoso “depois eu vejo” é primo-irmão do “deu ruim”.
Quando a conta chega, o caboco olha para o salário, olha para os boletos e começa aquela matemática amazônica:
“Se eu pagar isso, não pago aquilo. Se pagar aquilo, falta para o mercado. Se comprar no mercado, falta para a parcela.”
E tome rolo!
Tem gente fazendo conta com calculadora, papel de pão e até contando moeda em cima da mesa. Enquanto isso, os juros não querem saber se o cidadão tomou café ou não. Eles chegam ligeiros, ligeiros, igual chuva de verão em Manaus.
E aí mora o perigo.
Uma dívida que parecia pequena pode virar uma bola de neve. Só que, por aqui, dependendo do calor, essa bola de neve não dura nem cinco minutos. Derrete no bolso e deixa só o boleto!
O problema é que muita gente entra nesse tipo de compromisso olhando apenas para o valor da parcela.
“Ah, maninho, é só R$ 200 por mês!”
Só que ninguém pergunta:
Por quantos meses?
E mais importante:
Quanto vai sair no total?
Aí é que mora o pulo do gato — ou melhor, o pulo do boto financeiro!
Porque parcela pequena pode esconder uma dívida comprida. E dívida comprida, meu amigo, parece estrada da BR-319: a gente entra achando que vai chegar rapidinho e, quando percebe, ainda está no meio do caminho.
Tem também aquele velho costume:
“Depois eu renegocio.”
Renegocia daqui, parcela dali, empurra para frente, junta com outra dívida e, quando percebe, o orçamento virou uma verdadeira caldeirada financeira.
E o pior: o caboco começa o mês recebendo salário e termina o mês trabalhando praticamente para pagar dívida.
Aí é chibata!
O dinheiro nem esquenta na conta.
Cai hoje e amanhã já está comprometido.
O amazonense precisa ficar esperto porque crédito não é dinheiro grátis. É compromisso. E compromisso financeiro mal calculado pode virar uma dor de cabeça daquelas que nem banho de rio resolve.
Antes de assinar qualquer coisa, vale fazer o que muita gente esquece: parar, ler, perguntar e calcular.
Quanto vou pagar por mês?
Por quanto tempo?
Qual será o valor total?
Existem juros, tarifas ou outras cobranças?
E se minha renda apertar, eu ainda consigo pagar?
Porque não adianta entrar numa dívida achando que vai dar conta e depois ficar olhando para o boleto dizendo:
“Meu Deus, quem foi que inventou isso?”
Foi você que assinou, maninho!
E boleto, infelizmente, não aceita desculpa, promessa nem “deixa para depois”.
No Amazonas, a gente tem fama de ser desenrolado. E somos mesmo.
Mas tem rolo que não se resolve no “depois a gente vê”.
Tem rolo que precisa ser evitado antes de começar.
Então fica o alerta: olho aberto com as BTs e com qualquer compromisso financeiro que prometa facilidade demais. Antes de pensar no que a parcela pode comprar, pense no que ela pode tirar do seu bolso durante meses ou até anos.
Porque no fim das contas, o caboco pode até ficar sem o churrasco do domingo, sem o passeio na Ponta Negra e até sem aquele tacacá de fim de tarde.
Mas uma coisa é certa:
o boleto não fica sem jantar.
Ele chega.
Todo mês.
Pontualmente.
E ainda chega com juros.
Égua! Aí já é querer fazer o amazonense de besta.
Silvia Simões
Cirurgiã Dentista universidade Federal do Amazonas- Especialista em Odontologia – Saúde Pública – Universidade Federal do Amazonas- Especialista MBA em Administração Hospitalar e Gestão de Serviços de Saúde – Universidade Nilton Lins- Especialista MBA em Gestão de Cooperativas – Faculdades Integradas de Taquara-Mestra em Clínicas Odontológicas – Centro de Ensino e Pesquisa de Pós-Graduação do Norte – Professora Universitária- Coordenadora do Curso de Odontologia Hospitalar- Membro da Academia de Literatura, Arte e Cultura da Amazônia (ALACA)-Ex- Diretora Administrativa do sicoob [email protected]
Os artigos, fotos, vídeos, tabelas e outros materiais publicados nesta coluna não refletem necessariamente o pensamento do Portal do Holanda, sendo de total responsabilidade do(s) autor(es) as informações, juízos de valor e conceitos divulgados.
Aviso