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Banco Central amplia para 80 dias prazo para contestar golpe de devolução no Pix

Nova regra vale desde setembro e busca proteger lojistas e pequenos negócios de fraude que pode causar prejuízo em dobro

Banco Central amplia para 80 dias prazo para contestar golpe de devolução no Pix
Novas regras do Pix ampliam prazo para contestar golpes

Desde o início de setembro, uma nova regra do Banco Central deixou mais longo o prazo para contestar fraudes no Pix. A Instrução Normativa BCB 766, que atualiza o manual do Mecanismo Especial de Devolução (MED), passou de 30 para 80 dias o período em que uma vítima de fraude pode pedir a devolução do valor transferido, e também o prazo para quem recebeu uma devolução indevida poder contestá-la. A mudança busca proteger principalmente comerciantes, prestadores de serviço e pequenos negócios que vendem pelo Pix.

A regra responde a um golpe que vem fazendo vítimas entre pequenos vendedores: o golpista paga a compra normalmente, depois alega que houve engano e pede ao vendedor que devolva o valor — só que por uma nova transferência, para uma chave diferente da conta de origem. Com o dinheiro já devolvido "na mão", o golpista aciona o MED alegando fraude no pagamento original, e o comerciante pode acabar perdendo o valor duas vezes. A orientação de especialistas é nunca devolver dinheiro de Pix por meio de uma nova transferência: o caminho seguro é usar, dentro do próprio aplicativo do banco, a função de devolução vinculada à transação original.

O MED tem limites claros: ele serve apenas para casos com indício de fraude, e não cobre arrependimento de compra, erro no valor digitado, escolha errada da chave pelo próprio pagador ou desacordo comercial sem qualquer indício de fraude. Quando o mecanismo é acionado, as instituições financeiras têm até sete dias para analisar o caso, e a devolução depende do saldo disponível nas contas envolvidas, podendo ser total ou parcial.

Outra frente de proteção, batizada de MED 2.0 e em vigor desde fevereiro, permite rastrear o dinheiro mesmo depois que ele passa por outras contas após o golpe. Uma etapa adicional de comunicação entre as instituições financeiras, que ampliará esse rastreamento, estava prevista para agosto e foi remarcada pelo Banco Central para 26 de outubro. Quem suspeitar de ter caído em golpe no Pix deve contatar o banco imediatamente, mesmo que ainda esteja dentro do novo prazo, guardando comprovantes, conversas e anúncios relacionados à transação, além de considerar registrar boletim de ocorrência.

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