O ingá é presença comum nos quintais do Amazonas: uma vagem longa e curva que, ao abrir, revela uma polpa branca, macia e adocicada, parecida com algodão, envolvendo sementes escuras. Também chamado de ingá-cipó ou ingazeiro, o pé de ingá cresce rápido, dá sombra e costuma ser deixado sem manejo nos terrenos de casa, onde crianças e adultos colhem a fruta para comer ao natural, direto da vagem.
Além do fruto, as folhas da planta são usadas há gerações na medicina popular amazônica como anti-inflamatório e para cortar diarreia. Pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) testaram esse uso em laboratório: um extrato das folhas apresentou capacidade antioxidante mensurável e presença relevante de polifenóis, compostos associados ao combate de radicais livres, ainda que em concentração menor do que a observada em outras plantas da mesma pesquisa.
Nos testes com animais, o extrato de folha de ingá prolongou o tempo de reação a estímulos de dor e reduziu o inchaço em um dos modelos de inflamação usados pelos cientistas, mas isso só ocorreu em uma dose específica testada — em outro modelo de inflamação, não houve efeito. O extrato também diminuiu em até 84% as lesões provocadas por álcool no estômago dos animais, resultado que chamou atenção dos pesquisadores. Já o efeito contra células tumorais não se confirmou: não houve atividade relevante em nenhuma das nove linhagens de câncer testadas em laboratório.
Os resultados são de estudo em animais e em extrato de laboratório, com doses controladas que não correspondem a uma xícara de chá ou a uma quantidade de folha que alguém possa preparar em casa. Não existe dose seguro estabelecida para uso medicinal do ingá em humanos, e a fruta, apesar de nutritiva e segura para consumo tradicional ao natural, não deve ser usada como substituto de tratamento médico para inflamação, dor ou problemas digestivos. Quem tiver esses sintomas deve procurar orientação de um profissional de saúde.
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