Por Leo Marchandon
1 Out (Reuters) - A Bull, fabricante estatal francesa dos supercomputadores mais rápidos da Europa, reinaugurou nesta quinta-feira uma fábrica ampliada para dobrar sua capacidade de produção, segundo informaram executivos à Reuters, em um momento em que a Europa reforça sua capacidade computacional em inteligência artificial.
A União Europeia destinou 7 bilhões de euros para o período de 2021 a 2027 a uma rede de supercomputadores, com o objetivo de diminuir a vantagem computacional em relação aos Estados Unidos e à China. A fábrica da Bull em Angers, na França, é a única na Europa dedicada à construção dessas máquinas, e sua ampliação visa apoiar essa meta.
O presidente-executiv, Emmanuel Le Roux, afirmou que a Bull recebeu mais pedidos este ano do que nunca e venceu 15 das 18 licitações lançadas pela EuroHPC, o órgão da UE que cofinancia a rede europeia de supercomputadores junto aos Estados-membros, competindo contra empresas como a Hewlett Packard Enterprise.
A Airbus inaugurou este ano supercomputadores fabricados pela Bull em Toulouse e Hamburgo, no âmbito de um contrato de cinco anos que, segundo a mídia, teria um valor próximo a 100 milhões de euros e triplicou a capacidade de simulação da fabricante de aeronaves.
A Bull informou à Reuters que o valor do contrato divulgado não estava correto, mas se recusou a revelar o valor exato.
A operadora de computação em nuvem OVHcloud e a Domyn, apoiada pela Comissão Europeia, estão ambas tentando treinar modelos de IA de ponta no supercomputador JUPITER da Bull, juntamente com outras empresas que a Bull se recusou a nomear.
PRODUÇÃO PODE CRESCER EM 2027
A expansão em Angers custou 80 milhões de euros, afirmaram executivos da Bull. A produção já dobrou, passando de seis racks por mês anteriormente para 12 atualmente, e a fábrica pode aumentar a produção para 24 no próximo ano, atendendo à demanda que deve continuar crescendo.
O pedido da França à Bull, um supercomputador que leva o nome da cientista da computação Alice Recoque, totaliza 94 racks e está sendo montado em paralelo com o LUMI-AI, o sistema finlandês de 388 milhões de euros e o maior contrato já assinado pela Bull. Os dois pedidos não poderiam ter sido produzidos simultaneamente antes da expansão, afirmaram os executivos.
A França concluiu a aquisição da Bull do grupo de TI Atos, que enfrentava graves problemas financeiros, em 31 de março, avaliando a empresa em até 404 milhões de euros. O motivo original foi estratégico, disse Le Roux. Na década de 1980, depois que os EUA pararam de enviar supercomputadores para a CEA, a agência nuclear da França, o país recorreu à Bull para construir as máquinas que eram usadas para simular testes nucleares.
A Bull construiu o JUPITER, a primeira máquina exascale da Europa, a classe mais rápida de supercomputadores, que atualmente opera no centro de Jülich, na Alemanha. O Alice Recoque, encomendado para a CEA, deve ser entregue em etapas a partir do final deste ano, a um custo de 554 milhões de euros para o governo francês e a União Europeia.
A fábrica de Angers monta sistemas utilizando processadores de Nvidia, AMD e Intel, ou componentes europeus, dependendo das demandas dos clientes. Os componentes fabricados na Europa representam 70% das máquinas que estão sendo construídas, um aumento em relação aos 20% a 30% registrados há cinco anos.
Por meio de uma parceria firmada em junho, a Bull e a taiuanesa Foxconn <2317. TW> também fabricarão os sistemas NVL da Nvidia em uma fábrica na República Tcheca, com a montagem final realizada na fábrica de Angers.
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