Uma fraude batizada de "quishing" tem preocupado o setor bancário: criminosos colam ou inserem um QR Code falso por cima do original, levando a vítima a pagar sem perceber que o dinheiro foi parar na conta de um estranho. O golpe aparece em pelo menos três formatos. No primeiro, adesivos falsos são colados sobre o código verdadeiro em restaurantes, feiras e estacionamentos. No segundo, criminosos alteram os dados de pagamento de uma loja on-line ou criam um site clonado que imita um comércio conhecido. No terceiro, o código de um boleto impresso é substituído, fazendo o pagamento funcionar como um Pix comum, sem prazo de compensação e com o dinheiro saindo da conta na hora.
A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) alerta que a troca do código pode não deixar nenhuma marca visível no restante da página ou do documento impresso, o que dificulta a percepção da vítima antes de confirmar o pagamento. Segundo a entidade, o único jeito seguro de perceber a fraude é conferir, dentro do próprio aplicativo do banco, o nome de quem vai receber o dinheiro e o valor exibido antes de tocar em "confirmar" — e não apenas olhar o QR Code impresso ou exibido na tela de outra pessoa.
Quem cai no golpe pode recorrer ao Mecanismo Especial de Devolução (MED), criado pelo Banco Central, mas precisa agir rápido: o prazo para contestar uma transação de Pix feita por golpe é de até 80 dias. Um levantamento recente sobre decisões da Justiça em casos de boleto com código adulterado mostrou que o consumidor consegue reembolso total ou parcial em cerca de metade dos processos analisados em um tribunal paulista, com taxa de sucesso menor em outros estados — o resultado depende das provas reunidas em cada caso, e os bancos não são automaticamente responsabilizados pelo prejuízo.
Para quem mora no Amazonas e paga contas com frequência por QR Code — seja em feiras, restaurantes, aplicativos ou contas de consumo —, o cuidado básico muda pouco: nunca confiar apenas no papel ou na imagem exibida, sempre abrir o aplicativo do próprio banco para escanear o código e checar nome do recebedor e valor antes de confirmar, e desconfiar de adesivos colados sobre cartazes ou balcões de pagamento. Em caso de suspeita, o recomendado é contatar o banco imediatamente e registrar boletim de ocorrência, já que o tempo de resposta pode ser decisivo para conseguir reaver o valor.
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