Início Coluna do Holanda O caso da cassação do vereador. A justiça perde o seu rumo
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O caso da cassação do vereador. A justiça perde o seu rumo

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Por Holanda
15/07/2026 01h31 — em Coluna do Holanda
  • Quando um processo se torna um quebra-cabeça que apenas especialistas conseguem montar, perde-se algo tão importante quanto uma decisão bem fundamentada: a confiança de quem espera que os tribunais resolvam conflitos de forma clara.
  • No fim das contas, a melhor Justiça não é apenas a que decide certo. É a que faz o cidadão entender por que decidiu.

A Justiça fala pela lei. É o que diz o bom senso, mas o cidadão começa a duvidar.

Quando decisões sucessivas mudam o rumo da mesma história, surge uma pergunta simples: afinal, o que está valendo?

A disputa por uma vaga na Câmara de Manaus mostra como um processo pode ser tecnicamente correto e, ao mesmo tempo, difícil de compreender. No fim, enquanto a decisão definitiva é aguardada, é a decisão provisória que escreve a história.

Imagine a cena. Um vereador perde o mandato por decisão da Justiça. Outra vereadora toma posse. Dias depois, uma nova decisão suspende os efeitos da cassação. Em seguida, surgem novos recursos, novas cautelares e novas ordens judiciais.

Enquanto isso, a vaga continua sendo disputada. Agora faça uma pergunta simples: quantas pessoas conseguem explicar, sem serem advogados, por que tudo isso aconteceu?

É claro que a Justiça precisa ter recursos. Eles existem para evitar erros e garantir que ninguém seja prejudicado por uma decisão injusta. O problema aparece quando o caminho até a decisão final se torna tão complicado que o cidadão comum simplesmente deixa de entender o que está acontecendo. Nesse momento, o processo deixa de transmitir segurança e passa a gerar dúvidas.

Quem está do lado de fora não acompanha artigos de lei nem conhece expressões como "efeito suspensivo", "tutela cautelar" ou "juízo de admissibilidade".

A pessoa apenas vê que um político sai, outro entra, depois pode sair novamente, enquanto diferentes decisões parecem apontar para lados distintos. É natural que se pergunte: afinal, qual decisão vale?

A Justiça precisa ser correta. Mas também precisa ser compreendida.

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Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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