A previsão de uma nova estiagem no Amazonas reforça uma preocupação antiga. Se os efeitos da seca podem ser antecipados, a resposta do poder público também precisa chegar antes deles. É o que fez o governador Roberto Cidade ao procurar o presidente Lula.

Buscar recursos federais não diminui a autonomia de um governador, assim como disponibilizá-los não constitui favor do presidente da República. São recursos públicos destinados a responsabilidades igualmente públicas.
O federalismo existe justamente para permitir que diferentes níveis de governo somem capacidades quando a dimensão de um problema ultrapassa as possibilidades de uma única administração.
Essa compreensão torna-se especialmente importante em ano eleitoral. Governador e presidente podem estar em campos políticos diferentes, apoiar candidaturas distintas e defender projetos adversários. Nada disso deveria contaminar as relações institucionais. Isso vale para o município de Manaus e o governo estadual, também em campos opostos, mas em perigoso confronto.
Adversários podem disputar votos sem transformar governos em inimigos. A eleição pertence aos candidatos; a cidade de Manaus e o Estado como um todo pertencem à sociedade.
Há um limite onde termina a campanha e começa o dever de governar. Saúde, segurança, infraestrutura, eventos climáticos e proteção das populações mais vulneráveis pertencem claramente a esse segundo espaço.
As eleições de 2026 passarão e produzirão vencedores e derrotados.
As cheias voltarão, as estiagens também, e os desafios geográficos do Amazonas continuarão exigindo planejamento e cooperação.
A disputa eleitoral não suspende as responsabilidades de quem governa. Em um Estado como o Amazonas, sujeito a cheias e estiagens cada vez mais severas, União, Estado e municípios precisam manter canais permanentes de cooperação, independentemente das alianças formadas para outubro.
A população não pode esperar que diferenças políticas sejam resolvidas para receber assistência, atendimento de saúde ou proteção diante de uma emergência.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.



Aviso