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Cunha diz que Funaro lhe pagou dois carros sem ele saber

BRASÍLIA - Em depoimento na Justiça Federal, o ex-presidente da Câmara dos Deputados, (PMDB-RJ) disse que o delator lhe pagou dois carros sem seu conhecimento. Funaro disse ter pago várias despesas pessoais de Cunha, o que inclui automóveis e até mesmo um apartamento que pertencia ao ex-jogador . Cunha, porém, negou ter sido beneficiado com dinheiro de Funaro.

— Eu achava que estava devendo a loja, e não ele. Ele pagou sem me avisar que pagou. Agora, não tem essa história de dez carros — disse Cunha, acrescentando:

— Isso eu estou devendo e o pagarei.

Funaro é apontado como operador de políticos do PMDB em esquemas de corrupção. Cunha contou que fez algumas operações financeiras com ele, mas não reconheceu irregularidades. Segundo o ex-presidente da Câmara, a ligação de Funaro com PMDB é "zero".

— Todo mundo que ele conheceu foi através de mim. Ninguém sabe quem é Lúcio Funaro. Operador coisa nenhuma. É uma história que está inventando para conseguir uma delação. Se ele conseguir citar um nome (do PMDB) que não seja por mim, eu mudo de nome — afirmou Cunha.

Cunha também ironizou as planilhas feitas por Funaro:

— Se me der um computador, vou fazer uma planilha melhor do que a dele. Vou fazer colorida, botar florzinha, vai ficar mais bonita e vai ter mais credibilidade. Posso colocar Joãozinho, Manezinho.

Cunha presta depoimento na ação na qual é réu por suspeitas de irregularidades no Fundo de Investimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FI-FGTS), administrado pela Caixa Econômica Federal (CEF). Além dele e de Funaro, são réus: o ex-ministro e ex-presidente da Câmara Henrique Alves, o ex-vice-presidente da Caixa Fábio Cleto, e o empresário Alexandre Margotto. Cunha, Alves e Funaro estão presos. Cleto e Margotto, assim como Funaro, também firmaram acordos de delação.

Cunha negou ter indicado Cleto para o cargo. Afirmou que apenas mandou três currículos para o posto entre eles o de Cleto. Depois, contou, foi surpreendido quando saiu sua nomeação. Afirmou ainda que viria a conhecer Cleto somente depois disso. O ex-presidente da Câmara também disse ter apresentado Funaro a Alves e ao ex-ministro Geddel Vieira Lima, mas negou ter tratado de propina com eles. Cunha também defendeu a legalidade e o valor da publicidade paga pela BR Vias - empresa da família Constantino, proprietária da companhia aérea Gol - em seu site, o "Jesus.com".

Eduardo Cunha acusou a Procuradoria Geral da República (PGR) de ter deixado de checar informações da delação de Lúcio Funaro em razão da pressa de homologar o acordo e poder fazer uma nova denúncia contra o presidente Michel Temer. A denúncia ocorreu em 14 de setembro, faltando poucos dias para a saída do então procurador-geral da República Rodrigo Janot do cargo. Na avaliação de Cunha, Funaro contou várias mentiras em sua delação.

— O Ministério Público engoliu (a delação). Essa é que é a verdade. Passou a delação pela pressa de querer fazer a segunda denúncia contra Michel. Não tiveram o cuidado de examinar a realidade que Lúcio estava falando. Não tiveram tempo de investigar e comprovar. Não chegaram sequer a cruzar com a delação da própria JBS - afirmou Cunha.

Ele ainda ironizou o depoimento de Funaro, prestado nos dias 27 e 31 de outubro. Os dois são réus num processo que na Justiça Federal de Brasília por suspeitas de irregularidades no Fundo de Investimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FI-FGTS), administrado pela Caixa Econômica Federal (CEF).

— Foi verdadeiramente um escárnio assistir o depoimento do Funaro - disse Cunha, citando ainda o que seria uma mentira:

— Joesley (Batista, empresário dono da JBS) não me deve um centavo. Me deve a dignidade. Funaro, não me coloque nessa sujeira. Eu não tenho nada a ver com isso.

Cunha e Funaro então frente a frente na sala de audiências da 10ª Vara Federal de Brasília. Cunha ainda não terminou de depor. Além dos dois, também são réus: o ex-ministro e ex-presidente da Câmara Henrique Alves, o ex-vice-presidente da Caixa Fábio Cleto, e o empresário Alexandre Margotto. Cunha, Alves e Funaro estão presos. Cleto e Margotto, assim como Funaro, também firmaram acordos de delação.

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