Início Brasil Dodge pede para STF anular convocação de chefe de gabinete de Janot para depor na CPI da JBS
Brasil

Dodge pede para STF anular convocação de chefe de gabinete de Janot para depor na CPI da JBS

Envie
Envie

BRASÍLIA — A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, entrou com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo que seja revogada a convocação do procurador da República Eduardo Pelella para prestar depoimento à CPI da JBS. Pelella foi chefe de gabinete do antecessor de Dogde no cargo, Rodrigo Janot. A comissão quer interrogá-lo sobre suposta participação em negociações para firmar um acordo de delação premiada favorável aos executivos da JBS. O ministro Dias Toffoli foi sorteado relator da ação e poderá tomar uma decisão a qualquer momento.

Segundo a procuradora-geral, as CPIs não têm poderes para investigar integrantes do Ministério Público Federal – que, por sua vez, só podem ser investigados pela própria corporação. Por isso, Dodge pede ao STF que a comissão seja impedida de convocar outros integrantes do Ministério Público no futuro.

“A CPI extrapola os limites da sua atuação, infringindo as balizas que o princípio da separação de poderes lhe delineia e atingindo garantias constitucionais do Ministério Público. De fato, não cabe a Comissão Parlamentar de Inquérito dedicar-se a investigar eventuais condutas censuráveis de membros do Ministério Público, muito menos sindicar eventual cometimento de crime por eles”, diz a procuradora.

“O declarado propósito da CPI é o de buscar elementos para a revelação de crimes e malfeitos funcionais. Esse, contudo, não é temário a que o Poder Legislativo possa dedicar-se. Investigação criminal ou administrativa de membro do Ministério Público é tema que se esgota no âmbito do próprio Ministério Público, que, para isso, dispõe de Conselhos – tanto o Nacional como o do Ministério Público Federal – vocacionados a esse exercício”, completa Dodge no pedido.

Pelella foi convidado pela CPI para prestar depoimento em 1º de novembro. Ao negar o convite, o procurador argumentou que o sigilo profissional imposto aos membros do Ministério Público Federal seria impedimento para prestar quaisquer esclarecimentos sobre atos praticados em razão da função desempenhada. Não satisfeita com a resposta, a CPI aprovou requerimento no dia 31 de outubro para que Pelella fosse convocado a prestar depoimento na condição de testemunha no próximo dia 22.

A justificativa apresentada pela CPI para dar ao procurador o tratamento foi a proximidade de Pelella com Janot. Segundo a comissão, ele era “o responsável por passar ao então chefe do Ministério Público informações relativas a entendimentos efetuados com investigados previamente à celebração dos acordos de delação premiada”’.

Segundo a CPI, o procurador “teria efetuado tratativas preliminares para a obtenção de informações sobre o procurador da República Ângelo Goulart Villela, que é acusado de receber uma mesada do empresário Joesley Batista para mantê-lo informado sobre a Operação Greenfield”. E conclui: “Considerando que o sr. Eduardo Pelella tinha conhecimento de diversos ilícitos penais que vieram a ser praticados, mister se faz que a sua convocação e a sua oitiva perante esta Comissão sejam realizadas na condição de testemunha”.

Siga-nos no

Google News
Quer receber todo final de noite um resumo das notícias do dia?