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Emílio Odebrecht nega conhecimento sobre pagamentos a Bendine

SÃO PAULO. Arrolado como testemunha do próprio filho Marcelo Odebrecht, o empresário Emílio Odebrecht negou ter tido conhecimento sobre pagamentos a Aldemir Bendine, ex-presidente da Petrobras e do Banco do Brasil, antes da colaboração premiada da empresa com a Lava-Jato. Bendine, Marcelo e outras quatro pessoas são réus no processo em que o Ministério Público Federal aponta pagamento de R$ 3 milhões da empreiteira ao ex-presidente da Petrobras.

- Eu efetivamente só vim saber dessa relação de acertos, se é que existiram, no período de meados de 2016, já no andamento bastante acentuado na colaboração. Só nesse período que eu vim começar a ter conhecimento sobre esses assuntos - afirmou.

Emílio admitiu ter tido reuniões com Bendine na condição de presidente da Petrobras e fora da sede da empresa, mas negou ter tratado de propina nessas reuniões ou ter tido demandas atendidas.

- Eu vou ser muito franco ao sr., doutor Moro, eu saí com a sensação de que falamos, houve o entendimento, mas realmente, o resultado efetivo não ocorreu. Não houve o sucesso daquilo que estávamos querendo, que era a Petrobras não cancelar um contrato de forma leonina - disse o executivo, que afirmou não poder dar mais detalhes sobre o contrato.

Durante a audiência, Emílio afirmou que a Odebrecht sempre teve um relacionamento próximo com a Petrobras.

- Desde o meu período como executivo, (a Petrobras foi) uma empresa (de relacionamento) multifacetado com a organização - ela era sócia, cliente e fornecedora. (...) É uma história longa, de uma relação longa, e cada vez mais ela foi ampliando essas facetas.

Também foi ouvido nesta manhã o presidente da Odebrecht Newton de Souza, além do diretor jurídico da Odebrecht Mauricio Ferro, e da diretora financeira, Marcela Aparecida Drehmer.

Ferro afirmou a Moro só ter sido informado dos pagamentos ilícitos feitos à Petrobras durante as negociações dos acordos de delação premiada dos executivos da empresa.

_ Eu só tomei conhecimento desses pagamentos durante o processo de colaboração _ alegou.

Durante o depoimento, Ferro também disse que os empresários temiam as investigações internas da Petrobras relativas à Lava-Jato por acharem que a estatal tentaria transformar a Odebrecht em "bode expiatório."

_ Havia uma preocupação de que essas investigações internas pudessem gerar um bode expiatório, afastar o problema que pudesse existir dentro da própria companhia (Petrobras) achando um culpado para essa situação e, com base nisso, a Odebrecht ser responsabilizada por esse processo _ afirmou.

Drehmer, também arrolada como testemunha de defesa de Marcelo Odebrecht, negou que o executivo e Aldemir Bendine tivessem participado das reuniões de negociação de alongamento de dívidas entre a empreiteira e o Banco do Brasil.

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