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'Esquece', diz Cunha ao ser questionado sobre possível delação

BRASÍLIA - O ex-presidente da Câmara (PMDB-RJ) refutou nesta terça-feira a ideia de fazer uma . Preso desde outubro do ano passado, ele está participando das audiências de processo em curso na Justiça Federal de Brasília no qual é réu por suspeitas de irregularidades na liberação de empréstimos na Caixa Econômica Federal (CEF).

— Esquece — disse Cunha ao ser questionado sobre a possibilidade delação.

No sábado, o GLOBO mostrou que Cunha desistiu, por ora, de propor um novo acordo de delação premiada à Procuradoria-Geral da República (PGR). O político, que já teve uma proposta delação negada na gestão anterior à de Raquel Dodge decidiu aguardar pelo menos até o julgamento de sua apelação no Tribunal Federal Regional da 4ª Região (TRF4), previsto para novembro. Cunha foi condenado em março pelo juiz federal Sergio Moro, responsável pela Lava-Jato, a 15 anos e quatro meses de prisão pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de dividas e tenta reverter a decisão na segunda instância.

Nesta terça-feira, foi finalizado o depoimento de Lúcio Funaro, apontado como operador do esquema de corrupção de alguns políticos do PMDB, entre eles Cunha. Funaro reafirmou que o ex-presidente da Câmara recebeu propina. Questionado sobre isso após a audiência, Cunha disse:

— É mentiroso costumaz e tem que sustentar a mentira dele.

Além de Funaro e Cunha, são réus nesses processo: o ex-ministro e ex-presidente da Câmara Henrique Alves (PMDB-RN), o ex-vice-presidente da Caixa Fábio Cleto e o empresário Alexandre Margotto. Cleto e Margotto também são delatores. Alves, Funaro e Cunha estão presos. Cunha prestará depoimento na segunda-feira.

— Cunha preparou algumas folhas de autodefesa. O depoimento dele vai ser o mais demorado com certeza — disse Délio Lins e Silva, advogado de Cunha, concluindo que ele deve falar por mais de duas horas antes de responder os questionamentos.

— Achei ótimo o depoimento dele porque mostrou que o Cleto é mentieoso e que o Margotto também. E nada do que eles falaram serve. Falou que a planilha do Cleto não serve, a do Joesley (Batista, dono da JBS) não serve para nada e se resumiu a dizer das anotações dele — acrescentou o defensor de Cunha.

Délio tem sido o advogado que mais tempo leva fazendo perguntas aos depoentes, arrastando a duração das audiências. O procurador da República Anselmo Lopes criticou o comportamento da defesa do ex-presidente da Câmara.

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