BRASÍLIA — A CPI da JBS decidiu, nesta terça-feira, convocar o ex-chefe de gabinete da Procuradoria-Geral da República Eduardo Pelella para prestar depoimento. Em setembro, , mas não atendeu ao pedido. Agora, a presença dele é obrigatória. Pelella era considerado braço-direito do ex-procurador-geral Rodrigo Janot.
O requerimento para transformar o convite em convocação foi apresentado pelo presidente da CPI, senador Ataídes Oliveira (PSDB-TO). O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), integrante da comissão, criticou a medida:
— Estou convicto de que é uma ação de intimidação do Ministério Público. Estamos em uma escala. Quem manda nesse CPI é o ‘Marun da dancinha’ — afirmou Randolfe, referindo-se ao deputado federal Carlos Marun (PMDB-MS), .
Indignado com a decisão da comissão, o senador considera a possibilidade de renunciar. Para ele, deputados e senadores estão se articulando para barrar a Lava-Jato e outras investigações.
— A CPI é uma das facetas das organizações criminosas. O que se tem aqui é uma tentativa de desmonte da Lava-Jato, com leis e outras decisões, conforme mostrou o GLOBO corretamente — destacou Randolfe, .
Em setembro, o presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), Robalinho Cavalcanti, . Para Cavalcanti, ele não poderia falar publicamente sobre casos sobre os quais detêm informações sigilosas. Ele lembrou que expediente parecido foi usado pela CPI do Cachoeira para constranger o ex-procurador-geral Roberto Gurgel. O ex-procurador-geral recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF), que prontamente vetou a participação dele na CPI.
Convocado para depor nesta terça-feira, o executivo da JBS Ricardo Saud permaneceu em silêncio. Segundo seu advogado, Conrado Antues, ele só irá falar quando as cláusulas do acordo de delação premiada firmado com a PGR foram restauradas.
— Por enquanto, ele não tem o que falar — afirmou Antunes.

