BRASÍLIA - O ex-deputado Rocha Loures, que foi flagrado recebendo uma mala de dinheiro de R$ 500 mil da JBS, tinha uma reunião marcada no Conselho Administrativo de Defesa Econômico (Cade) para 19 de maio deste ano, um dia depois da Operação Patmos, deflagrada com base na delação da empresa. A reunião seria com o então superintendente, Eduardo Frade. A informação consta de um e-mail encontrado pela PF em um HD apreendido no gabinete de Loures durante a Operação.
Após ser indicado por Michel Temer a Joesley Batista como seu interlocutor, Rocha Loures conversou com o empresário em março sobre problemas da empresa no Cade e chegou a fazer uma ligação na frente de Joesley, no viva voz, informando ao então presidente, Gilvandro Vasconcelos de Araújo, de uma das demandas. A JBS desejava que o órgão autuasse a Petrobras para conseguir que uma térmica da empresa tivesse acesso ao gás boliviano. O Cade não tomou nenhuma decisão, mas a Petrobras acabou fechando um acordo para fornecer o gás para a empresa em abril. Após o caso vir a tona, o contrato foi rompido em junho.
O e-mail apreendido pela PF foi enviado pela secretária de Frade a uma assessora de Rocha Loures no dia 10 de maio. Ela confirma a reunião para as 14h30 do dia 19 e solicita a indicação dos participantes.
"De ordem do Superintendente-Geral, dr. Eduardo Frade Rodrigues, confirmo a reunião para dia 19/05/2017 às 14h30. Por favor enviar o nome dos participantes o mais breve possível. A reunião será realizada na Superintendência-Geral do Cade no 2° andar", escreveu a secretária, no e-mail.
A PF anexou à documentação apreendida a informação sobre o vínculo da assessora que recebeu o e-mail com o gabinete do deputado.
O GLOBO procurou a defesa de Rocha Loures e a assessoria do Cade e aguarda resposta.

