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Um ano após a Carbono Oculto, força-tarefa lacra postos ligados ao crime em São Paulo

Investigação sobre a infiltração do PCC no setor de combustíveis já alcançou mais de 350 alvos

Um ano após a Carbono Oculto, força-tarefa lacra postos ligados ao crime em São Paulo
Desdobramento da Carbono Oculto mira postos clandestinos na Grande São Paulo

Um ano depois de expor a infiltração do crime organizado na cadeia nacional de combustíveis, a Operação Carbono Oculto segue produzindo desdobramentos. O mais recente deles, batizado de Bomba Oculta, reuniu cerca de 60 servidores federais e estaduais na Grande São Paulo para lacrar postos que funcionavam sem autorização da Agência Nacional do Petróleo e para bloquear a capacidade dessas empresas de movimentar contas bancárias e emitir documentos fiscais eletrônicos.

Os números da ofensiva dão a dimensão do problema. Foram declarados inaptos 1.283 CNPJs e 228 inscrições estaduais ligadas ao setor, enquanto a agência reguladora já revogou mais de 10 mil autorizações de revenda desde 2019. A ação reuniu Receita Federal, Secretaria da Fazenda e Planejamento paulista, ANP, Procuradoria-Geral do Estado, Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e Polícia Civil, com foco na revenda irregular de combustível adulterado.

A investigação original, que revelou o uso de distribuidoras, importadoras e fundos de investimento para lavar dinheiro do tráfico, já alcançou mais de 350 alvos entre pessoas físicas e jurídicas. Os efeitos extrapolaram o setor de postos e chegaram ao mercado financeiro: uma gestora de recursos passou a ser peça central do caso, com fundos sob sua administração associados a fluxos financeiros suspeitos, em um dos primeiros episódios em que autoridades criminais miraram diretamente estruturas de gestão de fundos.

Como resposta, o Banco Central endureceu a fiscalização sobre esse tipo de estrutura, com exigências mais rígidas de identificação de beneficiários finais, regras de conformidade mais duras para gestores e ampliação do monitoramento de arranjos societários em múltiplas camadas. No campo criminal, seguem em andamento apurações por adulteração de combustível, organização criminosa, lavagem de dinheiro e crimes tributários.

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