Em 19 de agosto de 1839, em Paris, o governo francês anunciou publicamente o processo do daguerreótipo e abriu mão da patente, oferecendo a invenção ao mundo. A data virou referência internacional para celebrar a fotografia e é lembrada até hoje em exposições e mostras, inclusive em Manaus. Menos de sessenta anos depois daquele anúncio, a capital amazonense já tinha o seu próprio retratista — e é graças a ele que boa parte da cidade do ciclo da borracha chegou até nós em imagens.
O homem por trás dessas fotografias nasceu em Dresden, na Alemanha, em 1862, com o nome de Georg Hübner, que acabou aportuguesado para George Huebner. Fez sua primeira viagem à América do Sul em 1885, fixou-se no Peru em 1888 e retornou à Amazônia em 1894. Em novembro de 1897, abriu em Manaus um estúdio batizado de Photographia Allemã, instalado inicialmente perto do palácio do governo e depois transferido para a Rua Eduardo Ribeiro, o coração da cidade que se reinventava com o dinheiro do látex.
Seu trabalho foi muito além dos retratos de gente rica. Huebner fotografou a modernização urbana de Manaus e de Belém, o Teatro Amazonas, paisagens de rio e floresta, o cotidiano dos seringais e, sobretudo, produziu um extenso registro etnográfico de povos indígenas da região — um material que hoje é fonte primária para pesquisadores. O reconhecimento veio ainda em vida: em 1908 recebeu medalhas de prata e ouro em uma exposição nacional no Rio de Janeiro, e em 1911 foi premiado com ouro por suas imagens da extração da borracha.
Huebner morreu em 1935, mas as chapas sobreviveram. Parte do acervo está hoje sob a guarda de instituições brasileiras de preservação fotográfica e do Museu Histórico Nacional, e outra parcela ficou na Europa, em museus etnográficos alemães e suíços que receberam suas imagens ainda no início do século passado. É um detalhe curioso da nossa história: para ver como era Manaus na virada do século 19 para o 20, muitas vezes é preciso recorrer a arquivos do outro lado do Atlântico.



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