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ANÁLISE: Posição do PSB contra reformas soa como primeiro passo para desembarque do governo

BRASÍLIA - A soa como um primeiro passo para o desembarque do governo. A sigla, que nasceu esquerdista, foi um importante bastião dos governos petistas, até o rompimento, em 2013, já na gestão Dilma. Ao dizer um não oficial, com direito a punição para quem desobedecer o partido, o PSB atinge o coração do governo.

O presidente Michel Temer intitula seu governo de “reformista” e tem a reforma da Previdência como principal estaca da ponte que tenta erguer para superar a crise econômica. Os avisos de Temer, de que quem votar contra as reformas estará votando contra o governo, não intimidaram o PSB. Agora, o presidente terá de decidir se retalia com a retirada de cargos e verbas, como sinalizou, ou se tenta salvar parte dos 35 votos do partido na Câmara. O primeiro escalão do Executivo conta com um ministro do PSB: Fernando Coelho Filho, de Minas e Energia. Seu pai, o senador Fernando Bezerra Coelho, já disse que o cargo do filho está à disposição, e o próprio começou a demonstrar interesse em mudar de legenda.

O timing do anúncio do PSB não poderia ser pior para o governo: na véspera do início das votações. É a partir desta terça-feira que o jogo começa, efetivamente, a ser jogado, com a reforma trabalhista sendo votada na comissão especial e em seguida no plenário. A da Previdência parte para uma fase decisiva de debates, já em cima do relatório final negociado com o Palácio do Planalto. A rebeldia do aliado pode se disseminar entre outros partidos da base, num momento em que encampar uma pauta polêmica e impopular já não soava tão interessante assim. Especialmente quando a Lava Jato chamusca fortemente a classe política de forma generalizada.

O Planalto passou a se preocupar, de pronto, com a manutenção da fidelidade do PSD e do PRB. PTB e PPS também merecem atenção. Na votação pela urgência da reforma trabalhista, na semana passada, o governo perdeu. Passou o pito nos aliados e menos de 24h depois, numa nova votação (que está sendo questionada pela oposição), conseguiu aprovar. O episódio serviu para mostrar que a fidelidade maciça, de um apoio propalado pelo Planalto de 88% do Congresso, está em xeque.

Amigos de Temer dizem que seu governo é “semiparlamentarista”, já que o chefe do Executivo já presidiu a Câmara e conhece como poucos os meandros do Parlamento. Será preciso mais do que discurso para juntar 3/5 da Câmara em torno da nova Previdência.

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