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Governo avalia pedir ao Congresso exceção em regra fiscal para política de data centers

Governo avalia pedir ao Congresso exceção em regra fiscal para política de data centers
Governo avalia pedir ao Congresso exceção em regra fiscal para política de data centers

Por Bernardo Caram

BRASÍLIA, 20 Mar (Reuters) - O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia pedir ao Congresso Nacional uma exceção em regras fiscais para reimplementar neste ano a política de atração de investimentos em data centers, que naufragou após perder a validade no Congresso Nacional em fevereiro, disseram à Reuters duas fontes com conhecimento direto do assunto.

A iniciativa é necessária, segundo as fontes, porque a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026 vedou ampliações de benefícios tributários neste ano, proibindo, na prática, a recriação do programa, batizado de Redata.

A medida em estudo seria direcionada especificamente ao programa, sem prever abatimentos da meta fiscal, e negociada com cautela para evitar que o Legislativo use o projeto para aprovar outras exceções às normas para as contas públicas, destacou uma das autoridades.

“A ideia é fazer uma espécie de exceção específica para o Redata, que já foi muito discutido no Congresso, já está muito precificado e aceito pelo mercado. Faz sentido que você abra essa exceção para ter atração de investimento no país, uma série de investimentos que estão paralisados e aguardando”, afirmou uma das fontes.

O Redata havia sido instituído por meio de uma medida provisória no ano passado, mas o texto perdeu a validade sem aprovação pelo Congresso Nacional.

O custo estimado do programa é de R$5 bilhões em 2026, montante que já está previsto no Orçamento deste ano, não havendo necessidade de complementação de recursos, destacaram as fontes. O valor seria contabilizado normalmente na meta fiscal.

Pelo plano, a exceção à trava da LDO seria colocada em prática por meio de um projeto de lei complementar, que exige aval da maioria absoluta dos deputados e senadores.

A reedição do programa em si deve ser feita em um projeto de lei ordinária que já tramita no Legislativo e foi aprovado pela Câmara, dependendo agora de votação no Senado.

O Redata estabelece um regime tributário especial que concede incentivos fiscais como isenção de PIS/Cofins e IPI na compra de equipamentos de tecnologia da informação, importados ou produzidos no Brasil, destinados a data centers. Itens sem produção nacional ficam isentos também de Imposto de Importação.

O programa prevê contrapartidas de aplicação de recursos das empresas beneficiadas em pesquisa e desenvolvimento que promovam adensamento das cadeias produtivas no Brasil.

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