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Anaálise: Intervenção de Trump pode prejudicar combate ao terror

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Horas após o atentado em Manhattan, o senador Lindsay Graham estava na Fox News pedindo que o suspeito, Sayfullo Saipov, fosse tratado como combatente inimigo, em vez de criminoso, e enviado e Guantánamo. Mais tarde, ele falou com o presidente Donald Trump, que endossou a ideia. Mas embora durante a quarta-feira Trump parecesse continuar apoiando, já na ontem de manhã tinha mudado de ideia, tuitando que o processo “deveria andar rápido” e que Saipov deveria ser condenado à pena de morte.

Promotores federais de Nova York já tinham feito uma série de acusações contra Saipov na quarta, complicando qualquer iniciativa para levá-lo a um tribunal militar ou à prisão de Guantánamo. E como o professor Steven Vladeck, da Universidade do Texas, opinou no “Washington Post”, há várias boas razões pelas quais designar Saipov um “combatente inimigo” e levá-lo a Guantánamo é uma má ideia.

Em primeiro lugar, é constitucionalmente arriscado. Também, o sistema de Justiça federal já conseguiu mais de 600 condenações por terrorismo, enquanto os tribunais militares, apenas cinco. As cortes em Guantánamo estão em desordem. Se enviado para lá, Saipov provavelmente ficaria por anos num limbo legal. Trump pode ainda decidir que quer ter uma luta política sobre Guantánamo e cortes militares, disse Daniel Fried, que atuou como enviado do Departamento de Estado para a realocação de presos de Guantánamo no governo de Barack Obama. É um bom tema para alimentar sua base de apoio e fazê-lo parecer durão com o terrorismo — mesmo que a estratégia seja contraproducente.

Ao constantemente interferir no debate sobre o caso Saipov, Trump pode estar complicando um processo que, de outra maneira, “seria uma ação fácil”, disse Eugene Fidell, que leciona sobre reforma do sistema de Justiça militar na Universidade de Yale. Mas o tema maior é se o governo Trump vai recorrer a cortes militares.

O que os apoiadores de Guantánamo e seus detratores concordam é que o caso Saipov se tornará um teste importante para o futuro da guerra contra o terror — e que Trump derrapou em sua resposta a ele, prejudicando sua capacidade e credibilidade para liderar nesse tema.

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