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Câmara dos Deputados dos EUA aprova projeto de lei de defesa de US$1 trilhão

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Câmara dos Deputados dos EUA aprova projeto de lei de defesa de US$1 trilhão
Câmara dos Deputados dos EUA aprova projeto de lei de defesa de US$1 trilhão

Por Patricia Zengerle

WASHINGTON, 22 Jul (Reuters) - A Câmara dos Deputados dos EUA aprovou por uma margem estreita, nesta quarta-feira, sua versão de um amplo projeto de lei sobre política de defesa, apesar das preocupações dos democratas com seu altíssimo custo, a guerra contra o Irã e uma cláusula que reforçaria os laços do Pentágono com Israel.

A Lei de Autorização de Defesa Nacional (NDAA) para o ano fiscal de 2027, que autoriza um gasto sem precedentes de US$1,15 trilhão para as Forças Armadas, foi aprovada na Câmara por 216 votos a 212.

A votação seguiu, em grande parte, as linhas partidárias, já que todos os republicanos, com exceção de sete, votaram a favor da medida, e todos os democratas, com exceção de seis, votaram contra.

Os democratas se opuseram ao enorme montante de dinheiro autorizado para o Pentágono, em um momento em que o presidente Donald Trump e seus pares republicanos estão cortando gastos com programas sociais.

Eles também se opõem à guerra em curso e profundamente impopular contra o Irã, que, segundo o Pentágono, já custou aos EUA US$37,5 bilhões até o momento.

Os republicanos afirmaram que o gasto de US$1 trilhão é essencial para apoiar as Forças Armadas enquanto travam guerra no Irã, financiar o desenvolvimento de sistemas de defesa e a compra de equipamentos, além de proporcionar benefícios às tropas, como aumentos salariais de até 7% e a construção de quartéis e moradias para famílias.

Outra medida que preocupou os democratas foi uma cláusula que ampliaria substancialmente a cooperação em tecnologia militar entre os Estados Unidos e Israel, apesar dos apelos de muitos norte-americanos — especialmente da esquerda — para reduzir o apoio dos EUA a Israel devido à preocupação com o alto número de vítimas civis palestinas causadas pelos ataques em Gaza.

EM 2026, PROJETO "OBRIGATÓRIO" PODE NÃO SER APROVADO

Historicamente vista por ambos os partidos como “legislação que precisa ser aprovada”, a NDAA é um dos poucos projetos  importantes que sempre é aprovado pelo Congresso, tendo se tornado lei por 65 anos consecutivos.

O projeto deste ano enfrenta grandes desafios, dadas as profundas divisões partidárias no Congresso sobre questões que vão desde o enorme tamanho do orçamento militar até a guerra contra o Irã, a ajuda a Israel e à Ucrânia e causas da “guerra cultural”, como o tratamento dado a soldados transgêneros.

O destino da NDAA para o ano fiscal de 2027 também ficou complicado porque os republicanos votaram a favor de anexá-la à “SAVE America Act”, legislação apoiada por Trump para endurecer as restrições ao voto, antes de enviá-la ao Senado. O impacto dessa decisão sobre o destino da NDAA não estava claro, já que não há votos suficientes no Senado para aprovar a lei eleitoral.

Os democratas do Senado bloquearam a versão da NDAA do Senado na semana passada. Os líderes republicanos do Senado prometeram tentar novamente levar adiante o projeto de lei antes de deixarem Washington para o recesso de agosto.

Ainda é cedo no processo da NDAA.

Todos os anos, a Câmara e o Senado aprovam suas próprias versões da NDAA, antes que os negociadores do Comitê de Serviços Armados cheguem a um acordo sobre uma versão de compromisso, que depois é submetida à votação em cada Casa do Congresso.

Se a versão de compromisso for aprovada, ela será enviada à Casa Branca para que Trump a sancione ou vete.

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